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Vozes da poesia

19 de setembro de 2017 - Por Comunità Italiana
Vozes da poesia

 

Um panorama da poesia italiana do século XX e início do XXI. É como pode ser resumido o conteúdo do recém-lançado Vozes – Cinco décadas de poesia italiana, pela Editora Comunità. As organizadoras Patricia Pe­terle, docente de Literatura Italiana da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Elena Santi, doutoranda em Literatura também da UFSC, conduziram um profundo trabalho de pesquisa a partir de um projeto iniciado em 2014. O resultado é uma obra com a intensa participação de 33 poetas, de diversos estilos, origens e idades. Com orelha de Marcos Siscar, o volume foi apresentado este mês na Bienal Internacional do Livro e na UFSC e, em outubro, será destaque durante uma mesa-redonda na Casa das Rosas, em São Paulo, com a participação das organizadoras.

A poesia da Itália ainda é pouco conhecida no Brasil e o livro ajuda a preencher tal lacuna, aponta Patricia, autora de diversos volumes para o aprendizado da língua de Dante, como o clássico Italiano urgente para brasileiros (2001, GEN).

— O nosso mercado editorial, apesar do crescimento, ainda é muito carente, há muitos livros e autores, para além da literatura italiana, que até hoje não circulam por aqui. Quando se fala de poesia, essa lacuna, inevitavelmente, aumenta. Um só exemplo é suficiente: não temos acesso ao Montale da Bufera, de Satura, que são textos fundamentais e que alimentaram tantos poetas das gerações seguintes. Satura é um livro de ruptura e grande mudança como o é também Transumanar e organizar, de Pasolini, que recentemente nos chegou graças ao incansável trabalho de Maurício Santana Dias — explica a professora e escritora ítalo-brasileira Peterle.

Uma das contribuições de Vozes é apresentar ao leitor brasileiro poetas que nunca antes traduzidos para o português, à exceção de Enrico Testa e Eugenio De Signoribus, que já tinham aparecido nas páginas do Jornal Rascunho de Curitiba, relata a co-autora. A segunda grande contribuição está no formato do livro, que traz, além dos poemas, entrevistas com os 33 poetas. O leitor pode, assim, estabelecer um diálogo por meio das entrevistas, que “tratam do que é a poesia, como escrevê-la, que língua usar”.

— Os poetas colocam suas opiniões, seus testemunhos sobre essa arte que acompanha o homem e que, talvez, faz parte intrinsecamente dele — afirma Peterle, explicando os critérios de escolha dos 33 autores entrevistados: a variedade de escrita e de escolha poética; a representatividade e atividade no panorama contemporâneo italiano; e a construção de um mapa diversificado para o leitor brasileiro.

Entre as mudanças mais notáveis na poesia italiana nas últimas décadas, está a tendência, a partir da década de 1960, à “inclusão”, ou seja, “elementos do cotidiano, de caráter familiar, do trabalho, de uma língua “menos poética”, que acompanha as transformações sociais e econômicas da Itália e não só”, observa a professora universitária.

— É como se a poesia se “proletarizasse”, deixando de lado seu pedestal e certa aura. Tudo isso significa um “tom” mais baixo. Porém, os próprios autores que contribuíram para essa mudança, aos poucos, se dão conta dos seus limites, uma vez que a língua de todos corria o risco de se transformar na língua de ninguém. As formas mais tradicionais, como o soneto, que haviam sido deixadas de lado, passam a ser revisitadas e transformadas. Há uma quebra, uma ruptura, para com a categoria de um “eu” monolítico, dialógico.

 

Poetisa italiana revela influência de Clarice Lispector em sua obra

Em uma dessas entrevistas, surge a revelação da influência exercida pela escritora brasileira Clarice Lispector na obra da poetisa Mariangela Gualtieri, nascida na Emília-Romanha. Perguntada sobre quais autores italianos ou estrangeiros operam em sua escritura, ela enumera a autora de A Paixão segundo G.H. ao lado de Dostoiévski, Kafka, Simone Weil e Rossana Campo.

Nas entrevistas, os poetas falam sobre a relação do seu trabalho com outras artes, como o cinema e o teatro, e opinam sobre a influência da internet no mundo da poesia. Enquanto o lombardo Alessandro Fo acredita que a rede “ajuda muitos escritores que têm dificuldade de acesso aos grandes editores a serem lidos e conhecidos” e que o Facebook pode servir como uma “notável vitrine” para promover novas vozes, o romano Roberto Deidier observa que hoje é quase impossível se deparar com um jovem poeta inédito, pois “todos já publicaram um livro de papel ou e-book”, enquanto antes acontecia exatamente o contrário, pois fazia-se um longo aprendizado em revistas, em antologias da moda, para ir construindo atenção da crítica no tempo e chegar ao primeiro livro. Isso não acontece mais, ressalta Deidier, e “o livro muitas vezes serve como álibi para um problema de identidade que não tem nada a ver com poesia”. Já o marchigiano Massimo Gezzi classifica o Facebook como “genial e inexpugnável” por ter fornecido a cada um de nós “o espelho que cada Narciso vinha procurando”.

Outro aspecto que chama a atenção em muitas entrevistas é uma certa abertura do poético.

— O encontro com outras artes, a relação eu-outro-eu, as múltiplas experimentações (incluindo movimentos de vanguarda), a busca de diálogos e a releitura de certa tradição. Seria muito difícil indicar tendências “fixas” nessas águas tão agitadas. O que vimos é um cânone policêntrico, é uma pluralidade em constante movimento. Hoje, como nas décadas passadas, essas tensões persistem, fazendo com que o debate sobre linguagem, poesia e instrumentos de expressão permaneça atual. O panorama continua ainda mais diversificado e estimulante — resume Peterle.

Há ainda um pequeno texto introdutório para cada poeta, que apresenta de forma sintética alguns de seus traços mais marcantes.

Vozes pode ser lido por um leque bem diversificado de leitores: por quem se interessa pela cultura italiana, pois aqui encontrará várias referências culturais, históricas, hábitos e costumes; por quem gosta de poesia em geral, pois o livro é um modo prático, ágil, de se ter esse contato; por quem estuda poesia ou estuda literatura italiana, que encontrará, enfim, referências para outras leituras. Não é um livro com começo, meio e fim — finaliza Peterle.

 

Os poetas italianos do livro

Giampiero Neri

Tiziano Rossi

Elio Pecora

Beppe Mariano

Valentino Zeichen

Franca Grisoni

Giuseppe Conte

Maurizio Cucchi

Vivian Lamarque

Cesare Viviani

Eugenio De Signoribus

Umberto Fiori

Mariangela Gualtieri

Milo De Angelis

Gianni D’Elia

Mariano Bàino

Patrizia Valduga

Alessandro Fo

Antonella Anedda

Michele Mari

Claudio Damiani

Enrico Testa

Fabio Pusterla

Valerio Magrelli

Tommaso Ottonieri

Marcello Frixione

Edoardo Zuccato

Emilio Zucchi

Fabio Franzin

Nicola Gardini

Roberto Deidier

Elisa Biagini

Massimo Gezzi

 

 

Um dos poemas inéditos

Autoria: Claudio Damiani

 

Caro Sole, tu ogni giorno

Non so quante tonnellate di materia perdi

e anch’io, ogni giorno, perdo qualcosa,

ogni giorno perdiamo un giorno

ma quando sarà finito il suo tempo

si potrà dire di te: è stata una stella generosa,

per tutto il tempo ha illuminato e scaldato

i corpi intorno, senza fermarsi mai

dando tutto il possibile di sé,

sempre al massimo delle sue possibilità,

tutto quello che poteva fare l’ha fatto

e tutti sempre l’hanno ringraziato

e l’hanno adorato, l’hanno benedetto

e nella sua lunga vita lui ha sempre gioito

della riconoscenza di tutti.

 

 

 

Caro Sol, tu a cada dia

Nem sei quantas toneladas de matéria perdes

e eu também, a cada dia, perco algo,

a cada dia perdemos um dia

mas quando terá acabado teu tempo

dir-se-à de ti: foi um astro magnânimo

por todo o tempo iluminou e esquentou

os corpos ao redor, sem nunca parar

dando todo o possível de si,

sempre no limite de suas possibilidades

tudo o que podia fazer fez

e todos sempre lhe agradeceram

e o adoraram e o abençoaram

e em sua longa vida sempre gozou

do reconhecimento de todos.

Comunità Italiana

A revista ComunitàItaliana é a mídia nascida em março de 1994 como ligação entre Itália e Brasil.

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