O vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, disse nesta quarta-feira esperar que os franceses não escolham o partido do presidente da França, Emmanuel Macron, em eleições do Parlamento Europeu neste ano, intensificando recentes tensões entre Roma e Paris.

As relações entre a Itália e a França, geralmente aliados próximos, têm se desgastado desde que a legenda de extrema-direita Liga e o anti-establishment Movimento 5 Estrelas formaram um governo de coalizão na Itália no ano passado e começaram a atacar o partido pró-União Europeia Em Marcha, de Macron.

“Macron pode não ser mais o nosso interlocutor (no futuro)”, disse Salvini em entrevista à rádio estatal RAI. “O apoio dele é de menos de 20 por cento. Eu espero que a população francesa possa, em breve, fazer escolhas diferentes”, disse, em referência à eleição europeia de maio.

Na segunda-feira, a França convocou o embaixador da Itália depois que o também vice-primeiro-ministro italiano Luigi Di Maio acusou Paris de criar pobreza na África e gerar a imigração em massa para a Europa.

Na terça-feira, Salvini disse que a França não está interessada em estabilizar a Líbia, um ponto de parada para traficantes que enviam imigrantes à Europa em perigosas embarcações, porque os interesses da França na região se opõe aos da Itália.

Salvini, líder da Liga, também disse não estar preocupado com o efeito que a disputa pode ter nos esforços do governo para salvar a companhia aérea Alitalia.

Jornais italianos têm reportado que a companhia francesa-holandesa Air France-KLM está em negociações com Roma para adquirir a Alitalia.

“Há outros (atores) em posição para assumir uma participação do capital da Alitalia”, disse Salvini. (REUTERS)