Durante evento realizado nesta quarta-feira (19) no Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro, especialistas internacionais e representantes de Instituições culturais e governamentais da Itália e do Brasil prestigiaram O Museu como Laboratório, primeiro Simpósio Internacional sobre museus

Com objetivo de abordar os temas preservação e valorização do patrimônio artístico e cultural, além da ratificação do anúncio da cooperação cultural, científica e tecnológica que será selada entre o Governo da Itália e o Brasil, o simpósio ofereceu a oportunidade do diálogo e da troca de experiência entre instituições.

Partindo do gancho da tragédia ocorrida em setembro do ano passado no Museu Nacional do Rio de Janeiro, o diretor do MN, Alexander Kellner, esteve presente hoje no IIC e falou sobre a responsabilidade do Brasil:

“É responsabilidade do Brasil de recompor esse acervo de peças de outros países que foram perdidas e danificadas. Não adianta a gente pedir doações de outros países sem ter responsabilidade por esse material. O Brasil errou. Agora temos a oportunidade de aprender com esse erro para que uma tragédia dessa não se repita. Nós devemos fazer o nosso dever de casa”.

Compondo a bancada de palestrantes, esteve presente a Vice-Ministra da Cultura da Itália, Lucia Borgonzoni. A italiana, ao chegar no Brasil esta semana, realizou uma visita ao Museu Nacional. “Visitei os contêineres e vi como está sendo feito o processo de recuperação do acerto. O principal agora para gente é conseguir realizar essa recuperação e restauração do maior número de peças possível.”, relatou Borgonzoni.

Estiveram presente no evento também os diretores do Parque Arqueológico de Herculano, Francesco Sirano, do Museu Arqueológico de Nápoles, Paolo Giulierini e a diretora do Museu Nacional de Belas Artes, Monica Xexéo. Além disso, a restauradora do Parque Arqueológico de Herculano, Elisabetta Canna, a gerente de museus da Secretaria Municipal da Cultura, Heloiza Queiroz, e o Embaixador da Itália no Brasil Antonio Bernardini, dentre outros nomes, também marcaram presença.

Cooperação

Em seu discurso sobre a importância do diálogo entre os países, a Vice-Ministra da Cultura Italiana mostrou ideias para o futuro.

“Conseguir trazer boas práticas e divulgá-las para o mundo para que todas as nações possam utilizá-las é fundamental para a área da cultura. Nós [Itália] podemos dar uma mãozinha na recuperação do patrimônio do Museu Nacional, a partir do mês de novembro, devido a tecnologia que possuímos. Estamos articulando a possibilidade de um controle por satélite para monitorar as estruturas e evitar infortúnios”. “Quando se dialoga conseguimos resolver problemas”, concluiu Lucia Borgonzoni.

Já o diretor do Museu Nacional falou um pouco sobre o estado do acervo atual e o que o Brasil deve buscar para superar a tragédia.

“Lusia está salva, 80 a 90% do material está salvo. Ainda no governo Temer conseguimos a liberação de 9 milhões para resgate do Museu Nacional e recomposição de cerca de 20 milhões de objetos afetados pelo fogo. Agora precisamos de suporte de casas de apoio, apoios internos no Brasil, contato com fundações e auxílio para a recomposição das coleções”.

O Museu como Laboratório teve realização do Instituto Italiano do Rio de Janeiro em parceria do Ministério dos Bens e das Atividades Culturais da Itália, da Embaixada da Itália no Brasil e do Consulado Italiano no Rio de Janeiro. A colaboração ficou por conta do Museu Arqueológico de Nápoles, do Parque Arqueológico de Herculano e do Museu das Civilidades.