Bruxelas receia estouro da dívida caso a Itália aumente déficit

A União Europeia (UE) exigiu que a Itália faça mudanças em sua Lei Orçamentária de 2019 até esta quarta-feira (12). O texto já foi rejeitado duas vezes por Bruxelas, embora tenha sido aprovado pela Câmara dos Deputados. Para evitar sanções, o governo italiano precisará apresentar alterações “consideráveis” na lei, que, segundo o Poder Executivo da UE, possui “desvios sem precedentes”.

Nesta quarta (12), a Lei Orçamentária deve ser pauta de uma reunião entre o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte. De acordo com o comissário europeu para Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, ainda há espaço para negociações, porém o governo da Itália precisa assumir “compromissos concretos”.

Em audiência no Parlamento, Conte afirmou. “A interlocução com a UE é fundamental, nunca interrompi os canais de diálogo, trabalhei para aproximar posições e explicar os efeitos virtuosos do Orçamento em médio prazo”.

A Lei Orçamentária para 2019 prevê déficit estrutural de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), número muito acima do exigido pela UE. A Comissão Europeia, poder Executivo do bloco, cobra uma meta pouco superior a 1%, para que a Itália consiga reduzir sua dívida pública, a quarta maior do mundo, na casa dos 130% do PIB.

O rombo fiscal seria usado para financiar promessas eleitorais dos dois partidos governistas, como a renda básica de cidadania e a reversão da reforma previdenciária. Bruxelas, no entanto, afirma que o aumento do déficit, aliado a projeções otimistas para o PIB, pode tornar insustentável a já elevada dívida pública italiana.

O Senado da Itália tem até 31 de dezembro para aprovar a Lei Orçamentária para 2019.