A chefe da diplomacia europeia,Federica Mogherini,  anunciou na quinta-feira (31) a criação de um Grupo de Contato de países europeus e latino-americanos para trabalhar por uma saída da crise na Venezuela através de eleições

O grupo terá duração de 90 dias.

“O objetivo do Grupo de Contato Internacional é claro. É permitir aos venezuelanos que se expressem livre e democraticamente através de novas eleições. Não se trata de mediar”, assegurou Mogherini ao final de uma reunião de chanceleres europeus em Bucareste.

A UE queria lançar esta iniciativa em meados de fevereiro, mas, diante do agravamento da crise na Venezuela após a autoproclamação do opositor Juan Guaidó como presidente interino, o bloco decidiu adiantá-la.

Os europeus procuram “construir a confiança e criar condições para um processo credível” que conduza a eleições, disse Mogherini, acrescentando que a duração de “90 dias” é para evitar que esse grupo seja usado para “ganhar tempo”.

A ex-chanceler italiana propôs que a primeira reunião do grupo, cujo objetivo “não é mediar, mas acompanhar” o país em direção a uma saída “pacífica” e “democrática” para a crise, poderia ter lugar na próxima semana a nível ministerial em um país da América Latina, não informado.

França, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, Suécia, Holanda e Reino Unido farão parte do grupo, assim como Equador, Costa Rica, Uruguai e Bolívia.

“Estamos aguardando a confirmação de alguns outros”, acrescentou.

Quanto ao reconhecimento de Guaidó como presidente interino da Venezuela, como instado pelo Parlamento Europeu esta manhã, a chefe da diplomacia europeia assegurou que não cabe à UE fazê-lo, mas a seus países individualmente.

Um grupo de Wstados, incluindo Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, deu ao presidente Nicolás Maduro até segunda-feira para convocar eleições presidenciais, algo que o líder socialista já rejeitou.

A reunião de chanceleres na capital romena serviu para “discutir os próximos passos que os países poderiam tomar nos próximos dias e para coordenar nossas posições o máximo possível”, acrescentou a chefe da diplomacia.

A UE também se reserva a possibilidade de impor “novas sanções contra pessoas venezuelanas”, alertou Mogherini. O bloco sempre evitou impor sanções a setores econômicos do país que possam intensificar a crise humanitária.

(AFP)