Pietro Petraglia Editor

Chegar aos 25 anos de publicação desta revista no ano das comemorações dos 500º da morte do gênio Leonardo da Vinci é algo emblemático. A inspiração para produzirmos a Comunità vem desses grandes nomes que a Itália deu ao mundo e que influenciaram a humanidade em todos os setores. Vem também da força de vontade desse povo que saiu das fronteiras do seu território para ajudar a desenvolver inteiros países e construiu pontes sólidas de colaboração como vemos hoje com o Brasil.

O ano de 1994 foi agitado e inesquecível. Há 25 anos, na Itália, caia o sistema político que governou o país no Pós-Guerra sob a incisiva ação da Tangentopoli, que revelava um sistema de corrupção difuso e de financiamento ilícito aos partidos. Foram dissolvidos 80 partidos pelas investigações das “Mãos Limpas” e de lá surgiram as formações políticas da chamada Segunda República. Assim como ocorre hoje no Brasil, a operação atingiu administrações públicas e muitas empresas.

No Brasil, 1994 foi inesquecível pelas perdas de Tom Jobim e Ayrton Senna, assim como pela entrada em vigor da moeda Real e da conquista do tetracampeonato mundial de futebol, sobre a principal adversária em títulos. E, quem diria, exatos 25 anos depois a principal patrocinadora oficial da seleção canarinho viria a ser justamente uma importante empresa italiana, referência de sucesso no Brasil.

Eu tinha 17 anos em março daquele ano e frequentava livrarias como a “Ideal”, fundada no centro da cidade de Niterói pelo conterrâneo de meus pais Silvestre Monaco, referência para o mundo acadêmico que ali convivia. Conheci importantes intelectuais e empresários que logo acreditaram num projeto de um jovem inspirado pelo sonho de comunicar os fascinantes episódios que unem duas nações. Poucos eram aqueles que tinham computadores em suas residências e não se imaginava que surgiria a Internet. As máquinas utilizadas para imprimir eram ainda linotipos ou rotativas como a do jornal Tribuna da Imprensa, responsável por rodar nosso tabloide. Nossa redação era constituída por dois jornalistas, a incansável Simone Gugliotta e o experiente Flávio Barros. Logo tivemos adesão de escritores e historiadores como Angelo Longo, Julio Vanni e Marco Lucchesi, hoje presidente da Academia Brasileira de Letras. Ainda não havia iniciado o curso de jornalismo, mas já fotografava, escrevia, diagramava, vendia, distribuía… A estrada era árdua, os recursos eram poucos, mas a vontade era gigantesca. O crescimento veio a cada edição. O interesse pela publicação não demorou a conquistar o Brasil e já no primeiro ano tínhamos leitores que nos ligavam até de Manaus, longe do centro comercial do país em tempos onde ficávamos preocupados com o custo dos segundos de uma ligação telefônica. Àquela altura a casa de meus pais já não era suficiente para a rotina de trabalho que exigia aquele projeto e fizemos uma redação com colaboradores no Brasil e na Itália. Nos tornamos referência para instituições de ensino e municípios que buscavam conteúdo sobre a presença italiana no Brasil para estudos e comemorações festivas.

Nosso olhar sempre foi voltado para a colaboração com a sociedade através de um serviço de informação de qualidade. O título da publicação era nesse sentido. Comunidade. Hoje comum por conta das redes sociais, mas naquele tempo só se falavam em colônias. E o desejo era o de unir essas células e de dar voz a uma população rica de histórias e conquistas, formada por italianos e descendentes. Com foco principal na cultura italiana, no design, na gastronomia, nas produções industriais e tecnológicas, não demorou para a revista ganhar público leitor que não tinha laços familiares com a Itália mas apreciava a publicação pela riqueza de exemplos transformadores que brotavam a cada mês dessas páginas.

Trabalhamos para ajudar a formar pessoas. Trabalhamos para chegar nestes 25 anos e sermos uma referência para uma transformação positiva das pessoas e das instituições, humildemente, assim como Leonardo.

Obrigado a todos os leitores, colaboradores e empresas que nos dão o suporte para seguirmos em frente.

Boa leitura!