A Telecom Italia fechou um acordo com o Google, visando usar tecnologia da gigante americana de buscas nos seus data centers e criar uma companhia separada focada no mercado de computação em nuvem na Itália.

O acordo vale para os 23 data centers da Telecom Italia no país e também para novos centros de dados de propriedade da operadora a serem construídos. 

A nova empresa deve entrar na bolsa por separado, com valor de mercado de € 1 bilhão. A Telecom Italia pretende ainda contratar 800 engenheiros de nuvem nos próximos anos.

Em nota, a Telecom Italia é bastante vaga em torno de que tecnologias da Google serão usadas, e ainda mais vaga sobre qual é o modelo de negócio da parceria.

Ao longo do texto, a palavra Itália é mencionada diversas vezes, como que frisando que o acordo é circunscrito ao país europeu e não em outros mercados nos quais a Telecom Italia atua, o que inclui também o Brasil, com a TIM.

Esse tipo de acordo tem se tornado comum nos últimos tempos, nos quais as operadoras parecem ter se dado conta que não tem como criar uma oferta competitiva de cloud computing com tecnologia própria.

A movimentação tem sido fechar acordos com os grandes players de tecnologia e enxugar a quantidade de data centers.

No Brasil, por exemplo, a Oi assinou em abril um acordo com a Oracle para usar tecnologia de nuvem da empresa nos seus próprios data centers, como a Telecom Italia parece ter feito agora.

Descrito pelas duas empresas como um “acordo inédito no mundo”, o projeto seria uma das maiores migrações de sistemas já realizadas na América Latina.

No final de outubro, a Oi deu o passo seguinte, anunciando que ia  vender pelo menos uma dezena de data centers no Brasil, como parte de uma estratégia mais ampla de se livrar de “ativos não estratégicos” e capitalizar a operadora para investimentos em novos desafios no seu negócio principal, como o 5G.

Todas as operadoras brasileiras entraram no mercado de nuvem ao redor de 2012 e vem brigando para conquistar um espaço desde então. Muitas parecem ter se convencido que é hora de promover uma mudança de rumo.

Os data centers da Telefônica no Brasil, assim como outras estruturas do tipo pelo mundo, estão à venda, em um negócio avaliado em US$ 600 milhões que está sendo disputado por Brookfield, Digital Realty e Equinix.

A Telefônica tem 25 data centers em nove países, sendo oito deles na Espanha e três no Brasil. Um dos data centers brasileiros, inaugurado em 2012 em Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, deve ser uma das jóias da coroa (os outros dois data centers brasileiros provavelmente são estruturas antigas).

Dentre os outros players, pouco tem se ouvido sobre o assunto computação em nuvem, sinal que talvez venham mudanças pela frente.

Uma exceção é a Claro. Em outubro, a operadora comprou 40% da Ustore, uma startup pernambucana com forte presença no campo de soluções para infraestrutura na nuvem,  a base tecnológica dos chamados ambientes multicloud.

O software dos pernambucanos faz rodar o Painel MultiCloud Embratel, que oferece gestão, bilhetagem, orquestração e provisionamento de recursos, serviços e aplicações de múltiplas nuvens públicas e privadas.

A Embratel tem cinco data centers próprios no Brasil e tem planos de se tornar um dos maiores players no mercado de TI brasileiro nos próximos anos, com uma oferta indo desde telecomunicações até implantação de sistemas, passando por outsourcing de TI, service desk e fábrica de software.

A Claro pretende reproduzir no Brasil por meio da Embratel o seu posicionamento no México, onde disputa mercado com IBM, HPE e Softtek desde que comprou a Hildebrando em 2013.

Um dos principais desafios é superar a desconfiança dos compradores corporativos sobre a qualidade dos serviços.

A Frost & Sullivan fez uma pesquisa com 121 diretores de tecnologia de médias e grandes empresas do país em 2013, na qual 20% sustentou que não confiava no serviço fornecido pelas operadoras.

Empresas de data center sofriam a desconfiança de só 3% e os grandes players globais de TI, 3%. (com dados do Diário Baguete)