A casa de ópera italiana La Scala decidiu devolver um financiamento de mais de 3 milhões de euros (3,4 milhões de dólares) da Arábia Saudita, depois que seus planos de trabalhar junto ao país foram duramente criticados, inclusive por membros do partido governante Liga

A proposta da Arábia Saudita, que incluía um assento no conselho do La Scala para o ministro da Cultura saudita, provocou uma onda de revolta, com grupos de direitos humanos e alguns políticos argumentando que o teatro, uma das mais prestigiosas instituições culturais da Itália, deveria recusar o dinheiro saudita.

O reino muçulmano, profundamente conservador, tem sido acusado de reiteradas violações de direitos, tornando-se alvo de intensa pressão internacional desde o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, em outubro.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, que é também presidente do conselho do La Scala, disse que os recursos – parte de uma proposta de 15 milhões de euros por uma parceria de cinco anos com o Ministério da Cultura saudita –  tinham sido depositados numa conta caução sem o consentimento do teatro.

“Nós unanimemente decidimos devolver o dinheiro”, disse Sala a jornalistas após uma reunião do conselho convocada para discutir se os recursos seriam aceitos.

“No momento, não é possível trilhar esse caminho”, disse ele.  

(Reuters)