‘Não quero minestrone [sopa de legumes] fora de época. Eles [do M5S] poderiam selecionar melhor os seus candidatos’, vociferou o líder do Lega

DA REDAÇÃO

Líder do lega, Matteo Salvini, caso saia vitorioso das urnas no dia 4 de março, extinguirá a Lei Fornero, em vigor desde 2012, quando Mario Monti esteve a frente do país, e que se constitui na mais recente reforma trabalhista e previdenciária italiana. Apenas ratificou nesta quinta-feira, 22, o que, na verdade, vem proferindo há algum tempo, mas supreendeu ter dito na mesma entrevista que não acolherá ‘refugiados’ da lista do Movimento 5 Stelle (M5S), que embora seja um partido que se diz ideologicamente independente, mantém como bandeiras ideais inegavelmente de direita, na mesma linha do Lega.

Salvini mandou um recado para um endereço. E esse endereço tem nome e sobrenome: Silvio Berlusconi, que não esconde o desejo de atrair o M5S para o seu lado numa grande coalização de governo de centro-direita. As urnas dirão o caminho, naturalmente.

Berlusconi jamais fechou as portas para dissidentes do M5S. Faz a política de bastidor mais intensa e, de certa forma, flexível, ao contrário de Salvini, muito mais rígido nesse sentido.

“Não quero minestrone [sopa de legumes] fora de época. Eles [do M5S] poderiam selecionar melhor os seus candidatos”, vociferou Salvini, que já tem o nome para a segurança de dados do país: o jornalista e homem de finanças Umberto Rapetto. “Um super gerente para a segurança dos italianos, contra o cyberbullying e em defesa da rede e das comunicações”, disse o líder do Lega.

O tema “Lei Fornero” é outra via complicada nas relações do Lega com o Forza Italia de Berlusconi. Para o “Cavaliere”, a legislação deve apenas ser corrigida, mas não completamente desmantelada. Salvini parece discordar integralmente, e sem parcimônia, do aliado: “É uma lei injusta, errada. Vou apagar isso, nem que seja a última coisa que eu faça”, esbravejou o líder do Lega.

Durante entrevista à Radio1, Salvini mostrou-se certo de que sairá vitorioso nas urnas: “Em um mês ou mais, você vai me entrevistar como premier, os italianos querem essa mudança”. Não será tão fácil assim, a julgarmos pelos resultados das mais recentes pesquisas eleitorais, que mostram um cenário de total incerteza para o pós 4 de março.