O ex-primeiro-ministro italiano Matteo Renzi incentivou na terça-feira (13) o Partido Democrata (PD, de centro-esquerda) e o Movimento Cinco Estrelas (M5S) a formar uma maioria alternativa que governe o país, impeça um triunfo da ultradireitista Liga em eleições imediatas e evite uma recessão.

Renzi concedeu entrevista coletiva no Senado para explicar a sua postura, antes que o plenário decida a data da moção de censura contra o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, proposta por seu vice-primeiro-ministro, ministro do Interior e líder da Liga, Matteo Salvini.

“A votação de hoje no Senado demonstrará que existe uma maioria parlamentar sem Salvini. Espero que ele renuncie hoje. É o responsável por este caos institucional que está acontecendo no Parlamento”, opinou o ex-premiê.

Nos últimos dias, o PD está vivendo uma divisão interna entre os que querem evitar um possível Governo de Salvini, liderados por Renzi, e os que defendem eleições imediatas, hipótese defendida pelo diretório nacional.

O Partido Democrata tem cadeiras suficientes para se unir ao Cinco Estrelas e permitir a continuidade do atual Executivo ou formar outro que conte com o mútuo acordo.

Por isso, nos últimos dias, Renzi propôs a formação de um governo de unidade no país, que aglutine a maior parte das forças parlamentares, uma fórmula que necessariamente exige um pacto entre M5S e PD, duas forças que em outros tempos se mostraram irreconciliáveis.

“A situação é diferente agora. Passaram-se 14 meses de governo, a Itália mudou. Um possível acordo do PD e o M5S, com outras forças parlamentares, terá que ser decidido pelas respectivas direções nacionais”, afirmou o ex-primeiro-ministro.

Assim, Renzi deixou a decisão nas mãos da secretaria geral e afastou o fantasma da cisão. Alguns analistas no país apontaram que o ex-premiê, que conta com a simpatia da maior parte dos parlamentares do PD porque foram escolhidos por ele mesmo quando era secretário-geral, poderia deixar a legenda com alguns correligionários e formar outro grupo político.

“Nicola Zingaretti (atual secretário-geral do PD) pediu unidade e que seja o diretório o responsável por administrar esta situação. Acredito que são dois pedidos compreensíveis e aceitáveis. Mas como ex-primeiro-ministro digo que corremos o risco de uma recessão. Depois não digam que não o adverti”, afirmou Renzi.

O discurso foi uma referência à possibilidade de Salvini governar a Itália em coalizão com a conservadora Forza Italia, de Silvio Berlusconi, e o ultraconservador Fratelli d’Italia (Irmãos da Itália). O atual ministro do Interior poderia implementar um orçamento geral que aumente o gasto público em uma economia estancada, já que o produto interno bruto passou por crescimento zero no segundo trimestre do ano.

(com informações da EFE)