Um projeto de reforma constitucional elaborado pelo governo da Itália propõe o restabelecimento de eleições para escolher os presidentes e os membros do poder Legislativo das províncias, entes subordinadas ao Ministério do Interior e que estão entre as regiões e os municípios.

O texto foi revelado pelo jornal Il Sole 24 Ore, que o atribui aos dois partidos da base aliada: a ultranacionalista Liga e o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S). Este último, no entanto, tomou distância da proposta, que vai de encontro à sua promessa de reduzir o custo da política.   

Atualmente, os administradores das províncias são definidos pelo Ministério do Interior, e os conselhos locais reúnem representantes indicados por prefeitos e vereadores das cidades que formam seu território.   

O projeto de reforma constitucional, no entanto, prevê o retorno das eleições provinciais, abolidas em 2014, com a escolha por voto popular de presidentes e legisladores para cada uma das 107 províncias da Itália.   

“Queremos dar serviços aos cidadãos. Se as prefeituras não conseguem fazê-lo, precisamos das províncias”, disse o ministro do Interior e vice-premier do país, Matteo Salvini, também secretário da Liga, no último fim de semana.   

Segundo ele, a redução do papel das províncias provocou “desastres” na gestão de escolas e estradas. “Para mim, as províncias devem ser reduzidas. Ponto. Eficiência e racionalização, esses devem ser nossos faróis. Essa é a linha do M5S”, afirmou o ministro do Trabalho e vice-premier Luigi Di Maio, líder do movimento antissistema.   

No fim de 2016, uma reforma proposta pelo então primeiro-ministro Matteo Renzi previa a abolição total das províncias, mas acabou rejeitada em referendo popular. O resultado, no entanto, foi visto mais como uma derrota pessoal do ex-premier do que da racionalização dos custos da política.