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Projeto Grael lança livro para celebrar 25 anos de fundação

30 de abril de 2024 - Por Comunità Italiana
Projeto Grael lança livro para celebrar 25 anos de fundação

Para marcar o aniversário de 25 anos de fundação do Projeto Grael, o livro “Barcos para Educar – 25 anos do Projeto Grael” será lançado na próxima quinta-feira, dia 2 de maio, na sede do projeto, localizada no bairro de Jururuba, na cidade de Niterói, RJ. O evento contará com uma noite de autógrafos com a participação dos fundadores Torben e Lars Grael, alunos e ex-alunos da instituição e demais apoiadores.

Escrito por Victor Andrade de Melo, o livro, além de narrar a trajetória do Instituto Rumo Náutico, destaca o impacto positivo na vida dos jovens que tiveram a oportunidade de fazer parte do projeto. O livro estará à venda por R$50 durante o evento e o valor arrecadado será destinado integralmente para o Projeto Grael, garantindo o fortalecimento das atividades que têm transformado a vida de milhares de jovens ao longo dos anos.

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Serviço
Local: Sede do Projeto Grael – Av. Carlos Ermelindo Marins, 494 – Jurujuba, Niterói.
Dia: 02/05
Horário: 18h

Entrevistado em 2020 pela revista Comunità, Torben Grael contou um pouco sobre a trajetória do projeto e sua importância na vida de muitos jovens. Confira a matéria na íntegra:

Águas de Inclusão

Uma lenda da vela que procura formar campeões não só no seu esporte, pelo qual só de medalhas olímpicas tem cinco, mas também na vida. Este é o Projeto Grael, que há 23 anos dá oportunidade aos jovens de crescerem tanto dentro como fora d’água.

Em frente ao mar de Jurujuba, Niterói (RJ), Torben Grael recebeu Comunità numa manhã ensolarada de inverno para falar desse trabalho na cidade fluminense, que beneficia principalmente classes sociais menos favorecidas.

A vela tem a fama de ser esporte de elite, mas Grael procura desmitificar esse estereótipo:

— Obviamente, a vela tem essa imagem elitista, mas é muito errônea. Há muitos tipos de barcos. Na vela oceânica, por exemplo, há barcos com dez, oito pessoas. Uma pessoa está lá para comandar, como o dono do barco, mas precisa de outros que saibam velejar ou que tenham oportunidade de aprender e participar de equipes. E podem fazer isso sem gastar. O esporte de alto rendimento realmente custa. Mas quando se atinge nível mais alto, a Confederação Brasileira de Vela e o Comitê Olímpico Brasileiro ajudam.

Ouro olímpico na classe Star em Atlanta 1996 e em Atenas 2004; prata na Soling em Los Angeles 1984; bronze em Seul 1988 e em Sydney 2000 ambas na Star, Grael aponta vantagem do país em relação a outros lugares para velejar:

— O Brasil tem enorme costa marítima, além de águas internas. Isso sem falar da vantagem de ter boas condições climáticas durante o ano inteiro. Há países frios em que só no verão pode-se praticar a vela. Aqui as condições são maravilhosas.

Quem tem entre nove e 29 anos pode ingressar no projeto

Muitas pessoas cresceram no Projeto Grael e hoje se destacam em outras funções:

— Desde 1998 cerca de 20 mil jovens no total passaram pelo projeto. Já tivemos sedes em Três Marias (MG), Vitória (ES). Desde 2004 estamos neste endereço de Jurujuba, em Niterói. A cada semestre, após as férias escolares, recebemos 350 alunos. Costumam vir da rede pública de ensino. Quem estuda em escola particular, em geral, pode entrar para algum clube. Nós também temos convênios com a UFF (Universidade Federal Fluminense). Boa parte dos nossos atuais professores também veio daqui.

As atividades no projeto não precisam estar necessariamente ligadas ao rendimento escolar.

— Vários alunos melhoraram a nível comportamental depois que passaram por aqui. Por isso, preferimos não vincular uma coisa à outra — explica o campeão da vela.

Mas não são apenas crianças e adolescentes em idade escolar que fazem parte da ação esportiva.

— O Projeto Grael recebe jovens de nove a 29 anos. Não há apenas esportes que são praticados aqui. Temos oficinas mecânica, de fibra de vidro, elétrica, marcenaria, atividades ligadas à área náutica — enumera Grael.

Ele aponta exemplos de ex-alunos do projeto que hoje estão em bons cargos:

— O Jônatas Gonçalves (consultor gerencial) hoje trabalha na Confederação Brasileira de Vela. A Fernanda, que era instrutora aqui, agora está no Clube Naval de Cascais, em Portugal. A Laís nossa CEO (Chefe Executiva) do RH (Recursos Humanos), também foi ex-aluna.

Além de professores, dirigentes, instrutores, o Projeto Grael também revelou campeões na vela.

— O Samuel, por exemplo, foi campeão mundial junto com o Lars (irmão de Torben) — lembra Grael.

O título ao qual ele se refere foi o mundial de Star em 2015. Samuel Gonçalves ganhou nessa classe ao lado de Lars Grael, outro dos idealizadores do projeto. Lars, entre outros pódios, tem duas medalhas de bronze olímpicas na classe Tornado, em Seul 1988 e em Atlanta 1996.

Piu Piu, apelido de Alex Sandro Matos de Carvalho, foi outro ex-aluno a destacar-se. Filho de empregada doméstica, ele já trabalhou como trocador de van. Estava na tripulação que venceu a regata Cape Town (Cidade do Cabo, na África do Sul)-Rio, em 2011, assim como Samuel Gonçalves, Hallan Batista e Alan Tavares, todos formados no Projeto Grael e originários de comunidades carentes. Os outros três tripulantes do barco eram sul-africanos.

O ambientalista e engenheiro florestal Axel Grael, irmão de Torben e Lars e hoje prefeito de Niterói, também foi um dos mentores do projeto, bem antes de governar a cidade. Assim como Marcelo Ferreira, parceiro de Torben em várias conquistas na classe star como os ouros olímpicos de Atlanta 1996 e Atenas 2004, além do bronze em Sydney 2000.

Ainda sobre Axel. Na vela, o atual prefeito de Niterói foi vice- campeão brasileiro da Classe Snipe, na década de 1970, e vice- -campeão sul-americano da Classe Tornado, em Buenos Aires. E já velejou do Rio de Janeiro à Grécia, no início da década de 1980.

— Ele tem seu barquinho — lembra Torben, referindo-se ao irmão Axel.

Torben explica quais são as vantagens para a prática da vela em Niterói, cidade em que se estabeleceu, embora seja nascido em São Paulo:

— A enseada de São Francisco tem bons ventos. Há seis clubes na orla. Niterói é bom celeiro para a vela.

Campeã olímpica, Martine Grael está de férias em Bari

Enquanto Torben falava a Comunità, a filha Martine Grael, medalha de ouro na classe 49erFX pela segunda vez consecutiva em Jogos Olimpícos em parceria com Kahena Kunze, estava em Bari, sul da Itália, para merecidas férias. Depois, decidirá que rumo tomar.

— Martine vai refletir um pouco — explica o pai da bicampeã olímpica, que é também coordenador da equipe de vela da Confederação Brasileira deste esporte. Ele completa: — Provavelmente, o objetivo dela deverá ser ir à Olimpíada de Paris, em 2024. Havia dez classes na vela da Olimpíada de Tóquio. O Brasil estava representado em oito delas.

Além da vela, há outros esportes também praticados no Projeto Grael. Um deles pode significar a sobrevivência na água.

— A natação é pré-requisito importante para quem quer velejar, embora haja campeões que não saibam nadar. Outro esporte que também pretendemos desenvolver mais aqui é a canoagem — antecipa Torben Grael.

O maior número de medalhas conquistadas pelo Brasil recentemente na Olimpíada de Tóquio, como o de Isaquias Queiroz justamente na canoagem velocidade, mais precisamente na prova C1 (canoa individual) 1000m, animou Torben.

— É ótimo ver o Brasil conquistar medalhas em várias modalidades. Mostra que não é só no futebol que podemos ganhar. Tivemos medalhas também no tênis, no vôlei… — conclui o esportista.

Comunità Italiana

A revista ComunitàItaliana é a mídia nascida em março de 1994 como ligação entre Itália e Brasil.

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