O presidente da Itália, Sergio Mattarella, começou, nesta quarta-feira (21), a primeira rodada de consultas para decidir o futuro do governo italiano, após a renúncia do primeiro-ministro, Giuseppe Conte. Entre hoje e amanhã (22), Mattarella se reunirá com líderes dos partidos políticas da Itália para sondar possíveis indicações de nomes para formar um governo ou se as legendas optam por dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.

Algumas legendas, como o Partido Democrático (PD) e o próprio Movimento 5 Estrelas (M5S), preferem que se chegue a um consenso para indicar um novo premier. Nesse cenário, fontes italianas acreditam até na possibilidade do PD e o M5S se unirem (apesar da oposição histórica de um ao outro).

A direção do PD aprovou que o secretário da legenda, Nicola Zingaretti, inicie uma negociação para verificar a possibilidade de “um avanço para a legislatura”, em “descontinuidade” com a anterior.

“O governo que caiu ontem foi um dos piores da história da República. Depois de 14 meses falhou. Para o país, o legado desse governo é dramático”, disse Zingaretti.

O PD e M5S podem ainda alargar a composição com o apoio de outras legendas de centro-direita, como o Força Itália, do ex-premier Silvio Berlusconi, para garantir a maioria. A Liga Norte, por sua vez, segundo os líderes do grupo, Massimiliano Romeo e Riccardo Molinari, já “está trabalhando para construir a Itália do ‘Sim'”.

“Outros estão pensando no governo do ‘não’ e dos assentos? Vamos a eleições e deixamos os italianos escolherem! Quem escapar das urnas tem uma consciência culpada”, ressaltaram.

A legenda do vice-premier e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, defende novas eleições, o que poderá acontecer caso não seja possível formar um novo governo. Esta opção pode favorecer a Liga, principalmente por liderar as pesquisas de intenção de voto com cerca de 36% das preferências.

Ontem (20), o primeiro-ministro italiano renunciou ao cargo em meio a uma grave crise política deflagrada no governo após Salvini decretar de maneira unilateral o fim da coalizão com o M5S e pressionar para a convocação de novas eleições. (com informações da Ansa)