A polícia italiana anunciou nesta segunda-feira o desmantelamento, na Sicília, de duas gangues especializadas em fraude de seguros, que simulavam acidentes de carro e podiam até mesmo fraturar ossos das supostas vítimas para receber indenizações.

Mais de 40 pessoas foram presas em Palermo após a descoberta desse gigantesco golpe para as seguradoras, revelado pela primeira vez em 2017.

Nada era deixado ao acaso, incluindo falsos depoimentos, médicos que assinavam laudos fraudulentos ou advogados que abriam ações judiciais.

As “vítimas” desses falsos acidentes eram, segundo a polícia, marginalizadas, em sua maioria viciados, alcoólatras e doentes.

Elas recebiam 300 euros antes de quebrarem um braço ou uma perna, com discos de máquinas de musculação ou golpes de barras de ferro.

A polícia descobriu essa fraude em 2017 após a morte de um tunisiano, supostamente devido a um acidente de trânsito, mas que na verdade morreu de um ataque cardíaco após ser espancado.

Segundo informações da agência de notícias AFP, onze pessoas foram presas, em uma primeira operação em agosto, e três delas concordaram em cooperar com a polícia para estender a investigação a 250 pessoas.

As “vítimas”, depois de escolhidas, eram geralmente isoladas em apartamentos ou armazéns, onde recebiam um analgésico suave, segundo a polícia. As fraturas múltiplas eram as preferidas porque rendiam compensações melhores, acrescentou a mesma fonte.