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Pierre Cardin, estilista ítalo-francês ícone do ‘prêt-à-porter’, morre aos 98 anos

29 de dezembro de 2020 - Por Comunità Italiana
Pierre Cardin, estilista ítalo-francês ícone do ‘prêt-à-porter’, morre aos 98 anos

Vanguardista, estilista foi pioneiro das coleções exclusivamente masculinas e ajudou a popularizar o estilo unissex. Causa da morte não foi divulgada

O estilista ítalo-francês Pierre Cardin morreu aos 98 anos nesta terça-feira (29), no hospital de Neuilly-sur-Seine, ao lado de Paris. A morte foi confirmada pela família à Agência France Presse, mas a causa não foi divulgada.

“Dia de grande tristeza para toda a nossa família, Pierre Cardin já não está. O grande costureiro que foi, atravessou o século, deixando à França e ao mundo uma herança artística única na moda, mas não apenas isso”, escreveu a família em um comunicado. “Todos temos orgulho da sua ambição tenaz e da ousadia que demonstrou ao longo da vida.”

Vanguardista, o estilista foi um dos responsáveis pela retomada da alta costura na França pós-guerra e ícone do “prêt-à-porter”. Também introduziu grandes tendências da moda, como as coleções exclusivamente masculinas e as peças unissex.

Cardin também foi pioneiro nas licenças no mundo da moda, o que permitiu a internacionalização de seu trabalho. Com sede na França, sua grife se tornou muito popular na Ásia e nos Estados Unidos. Além da moda, Cardin tinha negócios de hotelaria, perfumaria e restaurantes, que fazia questão de administrar.

No ano passado, um documentário em sua homenagem foi exibido no Festival de Veneza. “House of Cardin”, de P. David Ebersole e Todd Hughes, mescla momentos-chave de sua carreira com um retrato pessoal do estilista.

Nascimento na Itália e carreira na França

Cardin nasceu em 2 de julho de 1922 em Veneza, na Itália, com o nome de Pietro. Seus pais, agricultores italianos, migraram para a França para fugir do fascismo quando ele tinha dois anos. O estilista se naturalizou francês.

Começou a trabalhar com moda e costura aos 14 anos, como alfaiate na cidade de Saint-Etienne. Depois, foi para uma casa de moda em Vichy e trabalhou, posteriormente, como contador na Cruz Vermelha.

Em 1944, ingressou na casa Paquin, em Paris, da renomada estilista Jeanne Paquin. Ali, foi responsável pela criação dos figurinos do filme “A bela e a fera” (1946).

Em 1947, se tornou o primeiro funcionário de Christian Dior e colaborou com a criação do tailleur Bar, uma das peças mais famosas de Dior.

Futurista e revolucionário

Pierre Cardin no camarim do Hotel Pierre em Nova York, em foto de outubro de 1975 — Foto: Ray Stubblebine/AP/Arquivo
Pierre Cardin no camarim do Hotel Pierre em Nova York, em foto de outubro de 1975 — Foto: Ray Stubblebine/AP/Arquivo

Cardin fundou o próprio ateliê em 1950, com um estilo revolucionário nas formas e nos materiais. Fascinado pelo futurismo, apostava em formas esculturais, geométricas e abstratas. Assim, passou a adotar peças unissex. Também inovou nos materiais, com roupas feitas de vinil e peles falsas.

Entre suas peças mais famosas está o “vestido bolha”, lançado em 1954, fruto de sua primeira coleção de alta costura.

Jeanne Moreau e Pierre Cardin, em foto de outubro de 1972 — Foto: AFP
Jeanne Moreau e Pierre Cardin, em foto de outubro de 1972 — Foto: AFP

O estilista vestiu diversas personalidades das artes e do cinema, como os Beatles, a atriz Jeanne Moreau, com quem formou um casal por quatro anos, passando pela também atriz Charlotte Rampling à bailarina Maya Plisetskaya.

Vanguardista

Pierre Cardin foi pioneiro nos anos 1960. Foi neste ano que se tornou o primeiro estilista a lançar uma coleção masculina.

Pierre Cardin durante inauguração do Museu Pierre Cardin, em Paris, em foto de novembro de 2014 — Foto: Jacques Brinon/AP/Arquivo
Pierre Cardin durante inauguração do Museu Pierre Cardin, em Paris, em foto de novembro de 2014 — Foto: Jacques Brinon/AP/Arquivo

Na mesma década, disposto a democratizar o acesso à moda, enfrentou críticas ao oferecer peças para uma loja de departamento.

Foi responsável por criar uma ponte entre a moda europeia e a oriental. Primeiro, introduziu uma modelo japonesa em seus desfiles parisienses, novidade na moda europeia. Depois, em 1979, realizou o primeiro desfile de moda de um estilista ocidental em Pequim. (com dados do G1)


Comunità Italiana

A revista ComunitàItaliana é a mídia nascida em março de 1994 como ligação entre Itália e Brasil.

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