Fragmentação partidária na Europa viu crescimento de nacionalistas, liberais e verdes e perda de força dos partidos tradicionais

As eleições europeias encerradas no domingo (26) aumentaram a fragmentação do Parlamento Europeu. Os tradicionais grupos de partidos de centro-direita e centro-esquerda continuam como os dois maiores, mas perderam espaço para agremiações nacionalistas conservadoras, liberais e ecologistas.


Nova cara do Parlamento Europeu (27/05/2019) — Foto: Fernanda Garrafiel / G1

Essas letras integram uma série de partidos com ideologias semelhantes nos 28 países integrantes na União Europeia. No Parlamento Europeu, os 751 parlamentares são responsáveis por sugerir emendas ou rejeitar leis propostas por outras instituições, além de fiscalizar as finanças do bloco.

Partidos do Parlamento Europeu e seus grupos

Manfred Weber, do partido liberal-conservador CDU, pode se tornar o próximo presidente da Comissão Europeia — Foto: Hannibal Hanschke/Reuters

Manfred Weber, do partido liberal-conservador CDU, pode se tornar o próximo presidente da Comissão Europeia — Foto: Hannibal Hanschke/Reuters

EPP – Partido Popular Europeu

  • Linha política majoritária: conservadorismo liberal
  • Quantos parlamentares elegeu: 180 (23,97% dos assentos)

A aliança reúne os mais tradicionais partidos de orientação liberal-conservadora da Europa, como o CDU da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Apesar de ter perdido espaço em relação a anos anteriores, o EPP continuará com o maior número de assentos. Portanto, o grupo é o favorito a eleger o próximo presidente da Comissão Europeia.

Pedro Sánchez comemora com a esposa, Begona Gomez, a vitória nas eleições gerais na Espanha, em abril — Foto: Sergio Perez/Reuters

Pedro Sánchez comemora com a esposa, Begona Gomez, a vitória nas eleições gerais na Espanha, em abril — Foto: Sergio Perez/Reuters

S&D – Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas

  • Linha política majoritária: social-democracia
  • Quantos parlamentares elegeu: 146 (19,44% dos assentos)

A coalizão integra os maiores partidos de orientação social-democrata dos países da Europa. Mantiveram a força na Espanha e em Portugal, países os quais governam. Entretanto, ficaram fora das duas primeiras colocações em países importantes como Reino Unido, Alemanha e França – o Partido Socialista francês, do ex-presidente François Hollande, obteve apenas a sexta maior votação, com apenas 6,2% dos votos.

Guy Verhofstadt, presidente do ALDE&R, em coletiva de imprensa dias antes das eleições europeias — Foto: Bernadett Szabo/Reuters

Guy Verhofstadt, presidente do ALDE&R, em coletiva de imprensa dias antes das eleições europeias — Foto: Bernadett Szabo/Reuters

ALDE&R – Coalizão liderada pela Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa

  • Linha política majoritária: liberalismo social, centrismo
  • Quantos parlamentares elegeu: 109 (14,51% dos assentos)

Integra os partidos e políticos liberais europeus favoráveis à União Europeia. O República Em Marcha, de Emmanuel Macron, é um deles, assim como o Ciudadanos, nova força eleitoral da Espanha. Obteve o maior salto no número de parlamentares – de 9,2% em 2014, terá 14,51% dos assentos a partir deste ano.

Robert Habeck, líder do Partido Verde na Alemanha, onde a sigla foi a segunda mais votada — Foto: Annegret Hilse/Reuters

Robert Habeck, líder do Partido Verde na Alemanha, onde a sigla foi a segunda mais votada — Foto: Annegret Hilse/Reuters

Verdes/EFA – Verdes/Aliança Livre Europeia

  • Linha política majoritária: ambientalismo
  • Quantos parlamentares elegeu: 69 (9,19% dos assentos)

Aliança entre os partidos e políticos ambientalistas da União Europeia. Defendem que o bloco adote medidas para que todos os países se comprometam com políticas ambientais, sobretudo para evitar mudanças climáticas. Conseguiram bom resultado na Alemanha, onde foram os segundos mais votados, e aumentaram o número de parlamentares eleitos em relação a 2014.

Líder do partido nacionalista conservador PiS, da Polônia, Jaroslaw Kaczynski vota em Varsóvia. Sigla integra um dos grupos considerados "eurocéticos" — Foto:  Agencja Gazeta/Slawomir Kaminski via REUTERS

Líder do partido nacionalista conservador PiS, da Polônia, Jaroslaw Kaczynski vota em Varsóvia. Sigla integra um dos grupos considerados “eurocéticos” — Foto: Agencja Gazeta/Slawomir Kaminski via REUTERS

ECR – Conservadores e Reformistas Europeus

  • Linha política majoritária: conservadorismo
  • Quantos parlamentares elegeu: 59 (7,86%)

É o maior e menos radical dos grupos considerados “eurocéticos”. Defende maior soberania dos estados que constituem a União Europeia, com regras mais rígidas de imigração, por exemplo. Abriga o Partido Conservador britânico, o mesmo de Theresa May, enquanto também integra siglas nacionalistas como o Lei e Justiça, da Polônia, e o Partido dos Finlandeses. Registrou pequena queda em relação a 2014, mas, caso vote em bloco com as duas outras alianças nacionalistas, pode liderar uma ampla coalizão “eurocética”, formando a segunda força do Parlamento Europeu.

Matteo Salvini, líder do partido nacionalista conservador Liga e ministro do Interior italiano, vota nas eleições europeias — Foto: Alessandro Garofalo/Reuters
Matteo Salvini, líder do partido nacionalista conservador Liga e ministro do Interior italiano, vota nas eleições europeias — Foto: Alessandro Garofalo/Reuters

ENF – Europa das Nações e da Liberdade

  • Linha política majoritária: nacionalismo conservador e “eurocético”
  • Quantos parlamentares elegeu: 58 (7,72%)

O grupo obteve sucesso principalmente na França e na Itália, com os partidos de Marine Le Pen e Matteo Salvini. Com forte discurso nacionalista, a aliança acusa a União Europeia de desrespeitar a soberania dos estados membro e critica a adoção do Euro e as políticas migratórias. Registrou crescimento nestas eleições e deve protagonizar os embates mais duros com as agremiações pró-UE e de esquerda.

Nigel Farage, do Partido do Brexit, aguarda resultado das eleições europeias — Foto: Hannah McKay/Reuters

Nigel Farage, do Partido do Brexit, aguarda resultado das eleições europeias — Foto: Hannah McKay/Reuters

EFDD – Europa da Liberdade e da Democracia Direta

  • Linha política majoritária: nacionalismo “eurocético”
  • Quantos parlamentares elegeu: 54 (7,19%)

É o mais cético em relação à União Europeia entre as alianças nacionalistas, mas menos conservador do que os demais. O estatuto do grupo se posiciona contra o Euro como moeda única e advoga por formas de democracia direta paralelas ao bloco. Obteve o melhor resultado no Reino Unido justamente com o Partido do Brexit, de Nigel Farage, onde a legenda deixou para trás os partidos tradicionais.

Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia, durante discurso após derrota nas eleições europeias — Foto: Costas Baltas/Reuters
Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia, durante discurso após derrota nas eleições europeias — Foto: Costas Baltas/Reuters

GUE/NGL – Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde

  • Linha política majoritária: socialismo
  • Quantos parlamentares elegeu: 39 (5,19%)

Além dos partidos comunistas da França e de Portugal, a aliança tem o Syriza, sigla esquerdista que vem perdendo apoio na Grécia – o premiê Alexis Tsipras se viu obrigado a convocar novas eleições nacionais após o revés no voto europeu. Apesar de manter posições bastante céticas quanto ao sucesso da União Europeia, os partidários se colocam como oposição dos nacionalistas – sobretudo em relação a temas sociais como imigração. Registrou menos votos do que em 2014, e deve seguir como força minoritária no Parlamento Europeu.

(Com informações do G1)