Ex-Primeiro-Ministro Italiano será comissário de Relações Econômicas do bloco Europeu na promessa de se dedicar à redução da dívida pública dos Estados-membros

Gentiloni, que comandou seu país entre dezembro de 2016 e junho de 2018, foi indicado pelo novo governo italiano para integrar a equipe da nova presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, que toma posse em novembro.

Sua indicação só foi possível em função da crise política que quase derrubou o primeiro-ministro Giuseppe Conte, em agosto, mas que acabou levando a uma improvável aliança entre o populista Movimento 5 Estrelas (M5S) e o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, que entrou no lugar da Liga, de extrema direita – Gentiloni é membro e presidente do PD.

Além disso, para apoiar Von der Leyen no poder Executivo da UE, os partidos do governo italiano exigiram uma comissão (equivalente a um ministério) econômica de peso para o país.

“Ao aplicar as regras europeias, me concentrarei na redução da dívida pública e no impacto potencialmente desestabilizante do débito alto quando a economia vai mal”, disse Gentiloni. A Itália tem a segunda maior dívida da zona do euro (134% do PIB), atrás apenas da Grécia, e em todos os anos compra briga com Bruxelas para aumentar sua margem de gastos.

Gentiloni, por outro lado, afirmou que os investimentos são “necessários para a transformação da economia” e que a União Europeia precisa de um crescimento econômico que seja social e ambientalmente sustentável.

“Farei uso da flexibilidade [nas regras] quando for necessário para consentir que as políticas orçamentárias promovam os investimentos”, prometeu, acrescentando também que pretende realizar um sistema europeu de garantia contra o desemprego.

“Politicamente, não será fácil, mas podemos realizar um esquema que ofereça proteção aos cidadãos em períodos difíceis de suas vidas”, disse o ex-primeiro-ministro. Gentiloni substituirá o francês Pierre Moscovici, que já fez duras críticas à Itália pela falta de controle de sua dívida pública.

Sua indicação foi aprovada nesta quinta-feira (3) com “amplo consenso” pelo Comitê de Relações Econômicas e Monetárias (Econ) do Europarlamento, segundo a presidente do colegiado, a italiana Irene Tinagli. (Com informações da ANSA)