Itália em quadra, centenas de bandeiras e faixas nas arquibancadas. Em uma delas, uma mensagem escrita a mão com spray: “Osmany, Cuba ti ama”. Juantorena não percebeu a homenagem, estava concentrado – apesar de abaixo do seu padrão de jogo habitual – em ajudar a Itália diante da Sérvia. Desde 2015 o ponteiro defende a Azzurra e pode realizar o sonho de tornar-se medalhista olímpico. Foi acolhido e hoje é um dois ídolos do tradicional voleibol italiano. Mesma sorte que deseja ao compatriota Yohandy Leal, que, a partir do ano que vem, poderá representar o Brasil.

A última vez que Juantorena defendeu Cuba foi no Pan de 2003, quando tinha apenas 17 anos. Deixou a seleção em 2006 após problemas com a federação e cumpriu os dois anos de inatividade previsto a atletas que deixam o país para jogar em times estrangeiros. Naturalizou-se italiano em 2010, mas só em 2015 foi liberado pela Federação Internacional (FIVB) para defender a Itália em competições internacionais. Bem em tempo de ser finalista dos Jogos do Rio, em 2016, e de integrar o grupo que levaria a prata no Maracanãzinho.

– Foi difícil, uma decisão muito difícil porque eu nasci cubano, não italiano. Mas ao final a equipe me acolheu muito bem. Todos os jogadores concordaram com a minha entrada no time. Foi uma experiência única porque é a única oportunidade que temos de jogar em uma equipe nacional. Cuba não me permitiu.

O cubano Leal: ídolo do Cruzeiro — Foto: Renato Araújo

“Espero que o Brasil acolha Leal muito bem.”

Leal ganhou o carinho da torcida brasileira, sobretudo da mineira, pelas temporadas vitoriosas com a camisa do Cruzeiro. Seria um reforço bem vindo para a posição de ponteiro, na qual o Brasil sofreu com os desfalques de Lucarelli e Maurício Borges por lesão neste Mundial.

Mas o jogador pode encontrar alguma resistência para sua convocação. Em entrevista ao canal Band Sports, no ano passado, Lipe disse que a seleção não precisava de estrangeiros. E o veterano é um dos líderes da delegação.

Cuba e o eterno “e se?”

Cuba se despediu do Mundial masculino de vôlei de 2018 ainda na primeira fase, em penúltimo lugar no Grupo D. Venceu apenas o lanterna Porto Rico, sendo derrotada por Polônia, Finlândia e Irã por 3 sets a 0 e pela anfitriã Bulgária por 3 sets a 0. Um destino triste e frustrante se considerarmos que o país caribenho tem quatro dos melhores jogadores do mundo em atividade – e todos atuando no voleibol italiano na próxima temporada.

Juantorena em ação na partida contra a Sérvia — Foto: Divulgação/FIVB

Além de Juantorena e Leal, que deixou o Cruzeiro rumo ao Civitanova, a ilha também é terra natal de Wilfredo León e Robertlandy Simón. León trocou o Zenit Kazan, da Rússia, pelo Perugia, enquanto Simón também se despediu do Cruzeiro, mas rumo a Lube.

León se naturalizou polonês e será liberado no próximo ano para defender os campeões mundiais de 2014. Simón ainda vive num limbo. Tentou defender Itália, Argentina e Canadá, mas não viu nenhum dos processos evoluir. Cada seleção só pode contar com um atleta naturalizado por vez.

– É inútil sonhar e perguntar o que Cuba poderia fazer. Não se pode fazer nada. Faz anos que deixamos Cuba, e cada um construiu seu futuro, sua vida. Se estivéssemos todos juntos poderíamos formar uma grande é equipe, mas é só um sonho. Espero que o futuro seja diferente. Mas eu represento a Itália. Não represento Cuba neste momento – disse Juantorena.

Nesta sexta-feira (28), Juantorena e seus companheiros italianos encaram a Polônia as 15h30 (horário de Brasília) e precisam vencer para avançar as semifinais do Mundial.

(GE)