Na pauta do IX Seminário da Imigração Italiana em Minas Gerais, modelo econômico começou na Toscana entre as décadas de 1970 e 80 e expandiu-se em todo o território italiano, incluindo, atualmente, mais de 23 mil empresas

No 9º Seminário da Imigração Italiana em Minas Gerais, que neste ano contará com as participações do professor Saverio Senni e do doutor Carlo Hausmann, o público conhecerá o modelo italiano de agroturismo e de como ele pode ser uma solução para as pequenas e médias empresas agrícolas.

Os especialistas Senni e Hausmann afirmam à Comunità que o agroturismo italiano, um modelo estudado em muitos países do mundo, favorece a permanência no campo das famílias rurais e é considerado particularmente eficaz na criação de riqueza, de novas empresas e vagas de trabalho no território.

Este setor da economia começou na região de Toscana entre as décadas de 1970 e 80, expandindo-se em todo o território italiano e incluindo, atualmente, mais de 23 mil empresas.

O conceito que norteia a ideia do agroturismo é muito simples: favorecer a transformação de uma fazenda em uma empresa multifuncional que continua prevalentemente agrícola, e que possa também oferecer aos clientes a possibilidade de se hospedar, comprar produtos e dispor de serviço de restaurante com utilização de produtos locais.

Outro princípio importante é a “conexão”, ou seja, todas as atividades de serviço devem estar conectadas à agrícola, no sentido de que devem representar a continuidade desta atividade como a oferta dos produtos da fazenda para venda e alimentação.

Hoje em dia a ideia do agroturismo evoluiu e — além das ofertas de hospedagem, de uma excelente gastronomia e de atividades ao ar livre —estendeu-se às fazendas educacionais e à agricultura social, que oferece serviços permanentes.

As fazendas educacionais trabalham com as escolas, oferecendo um dia de atividades didáticas sobre o pão, o azeite e as outras produções. O valor pago por cada aluno é bem em conta, mas o volume de negócios gerado é muito relevante, considerando que cada fazenda pode receber de 10 mil até 20 mil alunos a cada ano.

Quanto à agricultura social, ela oferece serviços residenciais, com preços baixos e em ambiente agradável. Tudo para atender grupos mais vulneráveis da população, como idosos e pessoas com deficiências, que podem ser envolvidas em pequenos trabalhos como, por exemplo, a manutenção de uma horta pessoal.

Quanto aos impostos, para reduzir os encargos administrativos, as fazendas recolhem 25% fixo sobre a receita, independentemente das despesas.

Os dois especialistas explicam também os pontos marcantes sobre os quais foi construído na Itália o sucesso da iniciativa: o local; o encontro humano; a enogastronomia; atividades recreativas, culturais e educacionais; os valores de natureza e biodiversidade e a experiência de conhecer os lugares ao redor da fazenda.

O agroturista italiano procura também a tranquilidade do local, ou seja, um lugar para escapar do caos urbano; a possibilidade de visitar as cidades de arte e também de “experimentar” e compartilhar a vida na fazenda; participar das fases de produção e planejar excursões a pé, a cavalo e de bicicleta.

Uma importante iniciativa do Estado Italiano foi estabelecer uma marca oficial do setor (Agroturismo Itália) que acompanha a chamada classificação, um sistema de bandas que qualifica a oferta como as estrelas dos hotéis, que foram construídas com base em uma pesquisa de mercado conduzida na Itália e no exterior e que fotografou e quantificou as preferências dos clientes.

Hausmann é doutor em Ciências Agrárias, especialista em desenvolvimento rural e produções alimentares típicas. Atualmente é diretor-geral da Agro Camera, empresa especializada da Câmara de Comércio de Roma. Senni é professor de Economia e Política de Desenvolvimento Rural e de Economia Florestal e do Ambiente, ambas cátedras da Universidade dos Estudos da Tuscia, em Viterbo.