Polícia achou 1,2 tonelada da droga no Porto de Santos em 2018

Uma investigação identificou que mafiosos italianos eram os proprietários de quase 1,2 tonelada de cocaína apreendida no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, em setembro do ano passado. Divulgada pelo portal G1 nesta terça-feira (16), a informação revelou que 10 pessoas originárias de três países diferentes foram detidas na África. A operação contou com a apoio da Receita Federal e da Polícia Federal (PF).

Segundo a publicação, a polícia desmantelou a organização criminosa nas últimas semanas, depois que centenas de tabletes de cocaína foram encontrados em rolos compressores. A droga seria enviada ao porto de Abidjan, na Costa do Marfim.

As investigações foram realizadas em parceria com a Itália e França, além de oito agências policiais do Arco do Golfo. As autoridades conseguiram identificar uma nova rota do narcotráfico internacional, usando o continente africano como intermédio para a droga chegar até a Itália.

De acordo com o inquérito, os mafiosos utilizavam empresas falsas de construção na Costa do Marfim para que as máquinas brasileiras, carregadas com cocaínas, fossem importadas. Após chegar no país africano, a droga era enviada para a Itália, especificamente na região da Calábria, onde a máfia controla 40% dos envios globais de cocaína, segundo autoridades.

Ainda de acordo com a reportagem do G1, entre os responsáveis pelo transporte da mercadoria estão seis italianos, três marfinenses e um franco-turco. Todos se encontravam em uma cantina italiana em Abidjan para organizar os esquemas, o que deflagrou a “Operação Spaghetti” no mês passado.

“Temos provas de que as mercadorias foram destinadas para a Ndrangheta e a Camorra e eles [os presos] estavam por trás do tráfego”, disse o agente francês Silvain Coué ao site, ressaltando que foram apreendidos também dinheiro, armas e bens de alto valor.

Para os investigadores, a cocaína encontrada no Porto de Santos foi adquirida por 2,5 milhões de euros na América do Sul e a ideia era que fosse vendida por 250 milhões na Europa. O delegado-chefe da Polícia Federal em Santos, Ciro Tadeu Moraes, informou que as autoridades continuam investigando o caso e apuram se há ligação entre o esquema e os dois italianos, Nicola e Patrick Assisi, detidos na Praia Grande (SP) no início do mês.

A dupla é suspeita de integrar a máfia italiana. Pai e filho ainda eram procurados por envolvimento com tráfico internacional.