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Legenda de centro Ação anuncia rompimento com frente ampla contra extrema direita na Itália

08 de agosto de 2022 - Por Comunità Italiana
Legenda de centro Ação anuncia rompimento com frente ampla contra extrema direita na Itália

Não durou uma semana o projeto do Partido Democrático (PD), principal força de centro-esquerda na Itália, de formar uma frente ampla para enfrentar o favoritismo da extrema direita nas eleições de 25 de setembro. A pequena legenda de centro Ação, do ex-ministro do Desenvolvimento Econômico Carlo Calenda, anunciou no domingo (7) o rompimento de uma aliança com o PD fechada apenas cinco dias atrás.

O motivo da ruptura, segundo Calenda, é a decisão do Partido Democrático de também formar coligações com as legendas nanicas Europa Verde (EV) e Esquerda Italiana (EI), que fazem oposição ao governo de união nacional encabeçado por Mario Draghi.

“Foi uma das decisões mais sofridas, a mais sofrida”, disse o ex-ministro em entrevista ao canal Rai Tre. “Hoje me encontrava ao lado de pessoas que votaram 54 vezes para destituir Draghi. Fiquei um pouco perdido”, acrescentou.

A aliança entre PD e Ação havia sido anunciada na última terça-feira (2), quando já se sabia que o Partido Democrático também negociava com EV e SI. “Essa coalizão é feita para perder. A escolha foi do PD, e eu não posso seguir por um caminho contra minha consciência”, declarou Calenda.

Em seu perfil no Twitter, o ex-premiê Enrico Letta, líder do Partido Democrático, disse que vai “seguir em frente no interesse da Itália”. “Parece que o único aliado possível para Calenda é Calenda”, afirmou.

Busca por alianças

Com cerca de 24% das intenções de voto, o Partido Democrático está em empate técnico com a sigla de extrema direita Irmãos da Itália (FdI), da deputada Giorgia Meloni, na liderança das pesquisas.

No entanto, o FdI integra uma coalizão conservadora com os partidos de Matteo Salvini (Liga) e Silvio Berlusconi (Força Itália), que aparece com mais de 40% da preferência e pode obter maioria absoluta no Parlamento, beneficiando-se de um sistema eleitoral que mistura proporcional com majoritário.

Por conta disso, o PD tentou fechar o maior número possível de alianças para fazer frente ao favoritismo da direita nos colégios majoritários. Todos os partidos com quem negociou estão na faixa de um dígito nas pesquisas e corriam o risco de não superar a cláusula de barreira parar entrar no Parlamento, que é de 3% para legendas que disputam sozinhas e de 10% para coalizões.

O foco das alianças costuradas pelo PD são os colégios majoritários para a Câmara dos Deputados e o Senado, ou seja, aqueles onde apenas o candidato mais votado será eleito.

Esses distritos definirão 37% das vagas na próxima legislatura, enquanto o restante será escolhido por meio do sistema proporcional, com os assentos no Parlamento distribuídos de acordo com o percentual obtido por cada partido.

Novas alianças

O Partido Democrático, formalizou novas alianças no último sábado (6). O acordo envolve as pequenas legendas Esquerda Italiana (SI) e Europa Verde (EV), que fazem oposição ao governo do premiê Mario Draghi e, juntas, têm cerca de 4% das intenções de voto, pouco acima da cláusula de barreira de 3%.

“Estou feliz com esse acordo eleitoral, necessário, na nossa opinião, porque esse sistema eleitoral obriga a fazer acordos e penaliza a solidão”, afirmou Letta.

O Partido Democrático ainda tenta formalizar um acordo com a nova legenda Empenho Cívico (IC), formada por dissidentes do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio. O IC aparece nas pesquisas com menos de 3% das intenções de voto.

Salvini desafia Meloni

Em baixa nas pesquisas, o ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini desafiou sua aliada Giorgia Meloni e garantiu que seu partido, a Liga, será o mais votado no campo conservador nas eleições de 25 de setembro.

Salvini e Meloni integram uma coalizão que é favorita para obter maioria no Parlamento, mas o partido da deputada, o Irmãos da Itália (FdI), de ultradireita, aparece na liderança das pesquisas, o que a coloca como principal candidata ao posto de premiê.

“Acredito que a centro-direita [como a coalizão é chamada na Itália] terá uma boa maioria na Câmara e no Senado, e, na centro-direita, a Liga terá a maior votação”, afirmou Salvini, que perdeu sua hegemonia no campo ultranacionalista para Meloni.

A declaração foi dada durante uma visita ao centro de acolhimento de Lampedusa, principal palco da crise migratória no Mediterrâneo, tema que é um dos maiores cavalos de batalha do ex-ministro do Interior.

Tanto ele quanto Meloni prometem endurecer as políticas migratórias da Itália e barrar a entrada de migrantes salvos no mar, porém Salvini deixou o campo da oposição livre para a deputada ao passar o último um ano e meio na base de apoio a Mario Draghi.

O ex-ministro do Interior ainda foi um dos algozes do premiê, ao fazer a Liga boicotar um voto de confiança no Senado, mas essa mudança de postura ainda não serviu para reverter sua perda de apoio popular.

De acordo com a última pesquisa realizada na Itália, pelo instituto SWG, a Liga aparece com 12,4% das intenções de voto, oscilação negativa de 1,6 ponto em relação a duas semanas atrás.

Já o FdI oscilou positivamente de 23,8% para 24,2%, aparecendo em empate técnico com o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, que passou de 22,1% a 23,7%.

Além de Liga e FdI, a coalizão conservadora inclui o moderado Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, com 7,5% dos votos. Os três partidos já concordaram que caberá ao mais votado a incumbência de indicar o próximo primeiro-ministro, caso a coalizão confirme as previsões de obter maioria no Parlamento.

A aliança conservadora também deve formalizar nos próximos dias seu programa de governo para as eleições. Segundo rascunho, o documento se baseia em 15 pontos e tem propostas como presidencialismo, aumento da autonomia das regiões, promoção das “raízes judaico-cristãs da Europa” e combate à “imigração ilegal”. (com dados da Ansa)

Comunità Italiana

A revista ComunitàItaliana é a mídia nascida em março de 1994 como ligação entre Itália e Brasil.

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