Ministro é suspeito de sequestro, abuso de poder e prisão ilegal

A Justiça da Itália pediu que o ministro do Interior, Matteo Salvini, seja processado por “sequestro agravado de pessoas” ao impedir durante vários dias em agosto do ano passado o desembarque de cerca de cem imigrantes em Catania, na ilha da Sicília.

O próprio Salvini deu a notícia nas redes sociais, mesmo meio que utilizou em novembro para comemorar que a Promotoria de Catania tinha pedido o arquivamento da investigação em relação a este caso.

Apesar disso, agora três magistrados do Tribunal de Catania pedem que Salvini seja julgado por este crime, que prevê penas de três a 15 anos de prisão.

No entanto, o ministro tem um trunfo a seu favor, pois é o Senado italiano que decidirá se ele será processado ou não, e seu partido, a Liga Norte, e o Movimento Cinco Estrelas (M5S), que governam juntos a Itália, têm maioria no Parlamento.

“Tenho certeza de qual será o voto da Liga, pois estamos defendendo os italianos. Veremos como vota o resto de partidos”, disse Salvini em uma transmissão ao vivo.

O também vice-presidente do governo italiano leu o ato do tribunal e explicou que os juízes “convidam a processar o senador Salvini pelo crime de sequestro agravado de pessoas”, acredita-se que, “abusando dos seus poderes, privou da liberdade” cerca de cem imigrantes que manteve dentro de uma embarcação militar durante cinco dias, sem poder pisar em terra.

Este navio resgatou em 16 de agosto do ano passado 177 imigrantes no Mediterrâneo e permaneceu cinco dias no mar, até que a Itália o autorizou a aportar.

Uma vez em Catania, Salvini só permitiu o desembarque dos menores e os adultos continuaram a bordo durante mais cinco dias.

O ministro do Interior disse que, segundo os magistrados, reteve estas pessoas “sem motivo justificado” e “em condições psicofísicas críticas”.

“Estou preparado para ir à prisão porque bloqueei e bloquearei a chegada de imigrantes. Não mudo minha forma de pensar nem de atuar”, insistiu, em tom provocador, antes de dizer que é “inocente” porque se limitou a “defender o país”. (EFE)