Como manter o distanciamento necessário sem se afastar demais dos pacientes? Como seguir protocolos mas levar em conta o medo, as preferências e os sentimentos dos doentes e de suas famílias? A empatia, conceito antigo mas frequentemente esquecido, é um poderoso recurso nas decisões clínicas.

Idealizado pelo médico Jacopo Demurtas, formado pela Universidade de Pisa e especializado no ensino médico pela Universidade de Modena, o roadshow de Medicina Humanista vai percorrer uma série de universidades italianas e terá como convidados especiais os médicos brasileiros Pablo González Blasco e Graziela Moreto, fundador e diretora da Sobramfa – Educação Médica & Humanismo.

“Todo profissional experiente sabe que medicina baseada em evidências e boas práticas são recursos imprescindíveis, mas ainda assim insuficientes para uma clínica de qualidade. A empatia é um recurso com grande potencial terapêutico e deve fazer parte das decisões médicas”, diz Demurtas.

Gratuito, o evento vai reunir médicos desde a região da Toscana até Trento, passando por Bolonha, Modena e outras cidades que abrigam importantes universidades de medicina. Na opinião de Graziela Moreto, que há muitos anos se dedica ao estudo da empatia no atendimento médico, apesar de um salto vertiginoso em termos técnicos e tecnológicos, nunca se chegou a um nível tão alto de despersonalização na relação médico-paciente.

“Existe uma erosão da empatia no estudante de medicina. Precisamos recorrer à educação da afetividade, que orienta e dá suporte às emoções, utilizando recursos como música, cinema, literatura e artes em geral. Como não se trata de um fenômeno local, mas global, acreditamos no sucesso dessa sequência de palestras e workshops que vamos participar na Itália”.