As autoridades da Itália iniciaram a transferência dos primeiros migrantes do centro de amparo de Mineo, na Sicília, para outras estruturas da ilha, na última quinta-feira (7), depois que o ministro de Interior, o ultradireitista Matteo Salvini, decidiu pelo fechamento do local, o maior deste tipo na Europa

No total, 25 homens já foram transferidos de ônibus a outro espaço da cidade siciliana de Trapani e, segundo fontes especiais,  espera-se que outros 25 sejam distribuídos ainda nesta quinta-feira entre Siracusa e Ragusa.

Os imigrantes procedem de países como Gâmbia, Nigéria, Guiné, Mali e Costa do Marfim e há no total quase 1,2 mil amparados no Centro de Amparo para Solicitantes de Asilo (CARA, na sigla em italiano) de Mineo, entre eles 70 famílias e 60 menores.

Este CARA foi aberto em 2011 durante o Governo de Silvio Berlusconi e foi a maior estrutura de amparo de migrantes da Europa, chegando a abrigar até 4 mil pessoas.

O governo anterior, de centro-esquerda, planejou o fechamento em 2015, quando o centro foi foco de uma investigação por suposta gestão ilegal e corrupção.

A unidade, composta por 400 pequenos edifícios, fica em um povoado de 5,2 mil habitantes da província de Catânia, no interior da ilha da Sicília, um local isolado, rodeado por extensos campos cultivados.

As próximas transferências estão previstas para 17 e 27 de fevereiro e a intenção é esvaziar o espaço para fechá-lo definitivamente antes do final de 2019.

Salvini está aplicando uma política de contenção da imigração e já anunciou o fechamento de vários centros de amparo de migrantes no país.

Em 23 de janeiro começou o processo de fechamento do segundo maior espaço deste tipo, o CARA de Castelnuovo di Porto, situado a poucos quilômetros de Roma e no qual viviam 500 pessoas.

O diretor do CARA de Mineo, Francesco Magnano, declarou à imprensa que a Itália tem que conter a chegada de migrantes porque “há 600 mil imigrantes ilegais que não têm direito a asilo” que vivem no país.

O prefeito de Mineo, Giuseppe Mistretta, solicitou uma reunião com Salvini para falar da situação e lamentou que agora o município terá que arcar com as despesas “geradas com a perda de postos de trabalho”.

(R7)