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Informar-se é preciso

27 de fevereiro de 2018 - Por Stefania Pelusi
Informar-se é preciso

No Brasil, Embaixada, Consulados e Comites trabalham para informar os eleitores sobre o procedimento do voto no exterior e a importância da participação dos ítalo-brasileiros

 

O diretor geral para os italianos no exterior do Ministério das Relações Exteriores, Luigi Maria Vignali, durante uma coletiva de imprensa, informou que as eleições deste ano terá o maior número de eleitores no exterior e o maior número de países envolvidos. O voto no exterior — que ele define como um exercício complexo — envolve quatro milhões e 300 mil eleitores, 700 mil a mais em comparação às últimas eleições de 2013, com um aumento de 20%, devido ao aumento dos inscritos no Aire nos últimos anos. Envolve também mais países: sete a mais do que no último pleito, por um total de 177 nações.

— As eleições do dia 4 de março serão também as primeiras eleições políticas durante as quais votarão por correspondência também os cidadãos italianos residentes temporariamente no exterior — afirma Vignali.

Outra novidade é o código de barras, no envelope maior, com os dados do eleitor.

— Uma novidade que incorpora as boas práticas já adotadas no passado na Grã-Bretanha e na Argentina, e que estendemos a 75% dos eleitores. Verificaremos os envelopes devolvidos e a gestão de possíveis pedidos de duplicatas. Esta é uma inovação muito importante para a máxima regularidade e exatidão do voto — informa o diretor geral da Farnesina.

Vignali também disse que viajará em missão eleitoral a Buenos Aires (230 mil eleitores), São Paulo (150 mil eleitores) e Londres (233 mil eleitores), as cidades com maior número de eleitores, para verificar a implementação das inovações nas sedes no exterior.

Lista provisória dos eleitores

Fonte: Embaixada da Itália no Brasil 

São Paulo 150 mil
Curitiba 59 mil
Porto Alegre 58 mil
Rio de Janeiro 44 mil
Belo Horizonte 18 mil
Recife 10.800
Brasília 9.500
BRASIL Cerca de 350 mil eleitores

 

Embaixada e Consulados publicam informações em sites e redes sociais
Segundo os dados da Embaixada italiana, o Brasil tem aproximadamente 350 mil eleitores, os quais se concentram nos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

— Esperamos ter a mais ampla participação dos eleitores no Brasil, mesmo cientes que o período é desfavorável em função da concomitância com o Carnaval, o maior feriado do país, que cairá, entre outras coisas, no momento do envio dos envelopes aos eleitores, diminuindo inevitavelmente o tempo de votação. Convidamos, portanto, os eleitores que receberão os envelopes a enviarem imediatamente as cédulas votadas ao Consulado — destaca à Comunità o embaixador italiano no Brasil, Antonio Bernardini.

A Embaixada fornece informações aos eleitores através dos sites institucionais e das redes sociais.

— Além disso, para realizar as operações eleitorais, os eleitores receberão uma tradução em português das instruções de voto junto às cédulas eleitorais — informou o diplomata, lembrando que o prazo máximo para que as cédulas preenchidas cheguem aos Consulados é dia 1º de março, às 16 horas.

A Embaixada e os Consulados italianos trabalham incessantemente para organizar em pouco tempo o procedimento de envio dos envelopes aos eleitores e o sucessivo envio para Roma dos preciosos votos. Cada Consulado enviará os envelopes fechados para São Paulo, de onde um funcionário viajará de avião rumo a Roma para entregar os votos dos italianos e ítalo-brasileiros.

No estado de São Paulo, a maior circunscrição eleitoral brasileira, a lista eleitoral ainda está sendo aperfeiçoada, mas provavelmente será maior do que 150 mil eleitores.

— O voto é um dever cívico, embora no sistema italiano não haja sanções para aqueles que não o cumprem, por isso esperamos uma participação massiva dos italianos e, neste sentido, não estamos poupando esforços para ter a melhor organização das operações eleitorais. Esperamos que as férias e o Carnaval não afetem negativamente o processo — declara à Comunità o cônsul italiano de São Paulo, Michele Pala, lembrando que o Consulado disponibiliza informações através do site e das redes sociais.

Na circunscrição do Rio Grande do Sul, os italianos inscritos no AIRE são 85 mil, dos quais quase 60 mil podem participar das eleições.

— Acho que os italianos que vivem no Rio Grande do Sul, dos quais apenas dois mil nasceram na Itália, superarão a participação de 35% alcançada no referendo de 4 de dezembro de 2016, confirmando-se acima da média nacional porque no sul do Brasil o sentimento de “pátria dupla” está profundamente enraizado nos corações da população local — comenta o cônsul de Porto Alegre, Nicola Occhipinti.

 

 

O cônsul aconselha que os eleitores votem imediatamente, pois este ano os tempos para exercer o direito de voto são muito mais estreitos.

— Se o eleitor vota atrasado e o envelope retorna ao consulado após às 16 horas do dia 1º de março, o voto não será considerado. É uma importantíssima ocasião para demonstrar o apego à Itália — completa Occhipinti.

O cônsul do Rio de Janeiro, Riccardo Battisti, também enfatiza o pouco tempo à disposição dos eleitores para votar.




— Consideramos válido o voto se recebemos a cédula eleitoral até às 16 horas do dia 1º de março. Todos os envelopes que chegarem após o prazo serão destruídos, é como se não existissem e isso é um pecado, porque danifica o voto de até centenas de pessoas. Às vezes, nas semanas após a votação, recebemos envelopes que foram votados regularmente, mas que chegam tarde demais — relata à Comunità Battisti.

Na circunscrição que compreende Rio de Janeiro e Espírito Santo, o número de eleitores que podem votar para a Câmara dos Deputados é de cerca 44 mil, enquanto para Câmara e Senado é de cerca 39 mil, porém geralmente o porcentual dos votantes não é muito alta.

— A mensagem que quero dar é dupla. Primeiro, digo que é importante votar porque a democracia se exercita com o voto e é importante que toda essa máquina, que colocamos em funcionamento e que custa muito dinheiro que vem do bolso do contribuinte italiano, para ter sentido, deve levar a resultados. Obviamente nós somos super partes, não somos partidários e somos apolíticos. A segunda mensagem é para todos aqueles que querem votar, de votarem rapidamente — resumiu o diplomata italiano.

A cônsul de Belo Horizonte, Aurora Russi, também espera que os italianos participem em massa e que o feriado do Carnaval não afete negativamente neste sentido.

— Ainda não temos o número definitivo dos eleitores, porém a circunscrição conta com 27 mil inscritos no AIRE. Pedimos aos nossos concidadãos que se informem através do nosso site, que é atualizado diariamente — resume.

Datas principais

Fonte: Embaixada da Itália no Brasil 

Envio de cédulas aos eleitores 14 de fevereiro Prazo para o envio dos envelopes aos eleitores inscritos no AIRE e eleitores temporâneos (até o 18º dia anterior ao dia da votação) Art. 12 c. 3 Lei 459/2001.
Data de início para solicitar duplicata 18 de fevereiro A partir do 14º dia anterior ao dia da votação – Art. 12 c. 5 Lei 459/2001
Prazo de recebimento dos envelopes votados 1º de março Prazo para receber os envelopes contendo as cédulas votadas

Art. 12 c. 7 Lei 459/2001

Envio dos envelopes a Roma 1º de março Prazo para receber os envelopes contendo as cédulas votadas

Art. 12 c. 7 Lei 459/2001

Votação na Itália 4 de março Italianos vão às urnas pelo novo sistema eleitoral Rosatellum

 

Os Comites enfatizam a importância do voto
Os Comitês dos Italianos no Exterior estão em primeira linha para informar os eleitores sobre o procedimento do voto para os italianos no exterior e divulgar a importância da participação do cidadão ítalo-brasileiro nas próximas eleições.

— O voto é opcional, porém temos a obrigação civil e moral de participar das eleições para escolher nossos representantes, aqueles que irão nos defender e olhar por nossos interesses enquanto italianos no exterior. Votar é a mais verdadeira expressão da cidadania italiana que tanto buscamos e da qual nos orgulhamos — declara à Comunità o presidente do Comites em São Paulo, Renato Sartori. Ele lembra que é preciso que o eleitor seja o mais rápido possível na devolução dos envelopes aos correios e que preste muita atenção às instruções para que o voto não seja anulado.

— Uma boa participação da comunidade nas eleições conta a favor e serve como termômetro para uma série de outras questões relacionadas ao italiano no exterior — salienta Sartori.

Ele acredita que, apesar do sistema ser um pouco frágil pela dependência dos correios brasileiros em relação ao tempo, ainda assim é positivo, pois garante o direito do voto aos italianos no exterior, inclusive a aqueles que moram mais distantes.

O presidente do Comites do Rio de Janeiro, Alessandro Barillà, compartilha da opinião de Sartori, embora não esteja muito confiante na participação dos eleitores no Brasil.

— O voto pelo correio mira agilizar e ajudar o eleitor, mas, ao mesmo tempo falamos de um eleitor, o ítalo-brasileiro, que não sente muito este voto e por isso o porcentual de votantes é historicamente baixo. Tanto que nem se preocupa de atualizar o próprio endereço de residência no Consulado — comenta com Comunità.

Barillà acredita que a Itália tem que fazer muito mais para resgatar o espírito de ser cidadão italiano no exterior, a começar pela melhoria dos serviços prestados nos Consulados.

Por sua vez, Claudio Zippilli, presidente do Comites de Brasília — o órgão mais novo respeito às outras circunscrições do Brasil — considera muito importante a participação dos eleitores que residem no Brasil.

— Muitos cidadãos ítalo-brasileiros querem votar na Itália, seja porque não estão acostumados com o voto facultativo, pois no Brasil é obrigatório, seja para sentir-se um pouco mais perto da sua amada pátria. No entanto, este espírito proposital é frustrado tanto pelo fato de que muitos envelopes não chegam, quanto pelo tempo muito curto de reenviar os envelopes aos Consulados — afirma Zippilli, apontando para a escassa informação que oferecem os Consulados sobre as eleições.

De acordo com o ele, os Consulados, além de publicarem os avisos nos sites, deveriam enviar e-mails ou cartas informativas, pelo menos dois ou três meses antes das eleições, pedindo aos cidadãos para atualizarem os próprios dados junto ao AIRE.

— O voto pelo correio é, sem dúvida, um ótimo sistema, principalmente em países do tamanho do Brasil, em que alguns estados ficam a milhares de quilômetros do Consulado. Seria difícil alcançá-los com urnas itinerantes. No entanto, torna-se um sistema menos efetivo e inseguro devido à falta de atualização do AIRE. Se, por uma parte, a culpa é do interessado que não atualiza seus dados, também é verdade que os Consulados nunca fizeram nenhum tipo de atividade para mantê-lo atualizado — analisa o italiano, prevendo que um grande porcentual de envelopes retornará por endereço desconhecido, ou será interceptado fraudulentamente por “compradores de votos”.

Zippilli acha que seria interessante publicar mais informações nos sites dos Consulados, como as listas dos candidatos de todos os partidos, para que as pessoas possam conhecê-los melhor. O resultado é que as informações são reduzidas ao mínimo e publicadas apenas poucos dias antes da eleição, reclama.

— Um evento tão importante merece mais atenção e dedicação por parte dos Consulados, que, em vez disso, o enxergam apenas como mais um “dever a cumprir”, e tentam fazer as coisas com pressa para não se pensar mais sobre o assunto — conclui.

Comunità Italiana

A revista ComunitàItaliana é a mídia nascida em março de 1994 como ligação entre Itália e Brasil.

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