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Importador de vinhos e alimentos finos, Celso La Pastina morre vítima do coronavírus

20 de agosto de 2020 - Por Comunità Italiana
Importador de vinhos e alimentos finos, Celso La Pastina morre vítima do coronavírus

Após dois meses lutando contra a Covid-19, o importador de vinhos e alimentos finos, Celso La Pastina, faleceu vítima do vírus, informou o grupo La Pastina em nota nesta quinta-feira (20). La Pastina, presidente do grupo homônimo, completaria 62 anos na próxima quarta-feira, 26/08, e deixa a esposa Liliane e quatro filhos.

Nota oficial divulgada pelo grupo La Pastina

Estimado amigos,
É com grande pesar que comunicamos o falecimento de nosso presidente, Sr. Celso La Pastina, devido a complicações ocasionadas pelo COVID-19. Celso lutou bravamente contra o vírus nos últimos 2 meses, com a garra com a qual todos o conheciam, e descansou depois de uma longa jornada.

Nesta sexta-feira, celebramos os 21 anos da World Wine, empresa que Celso fundou especialmente para dedicar toda a sua paixão pelo mundo dos vinhos e da gastronomia. E é com essa paixão e comprometimento que são intrínsecos ao DNA desta companhia que vamos celebrar mais essa história de sucesso, com a promessa de seguir adiante batendo todos os recordes e respeitando não apenas a história que construímos aqui, mas também a história que carrega cada garrafa que compartilhamos com nossos clientes e parceiros.

Um brinde ao Celso!

La Pastina, um negócio de família

Presidente de uma das maiores importadoras de alimentos do país, o ítalo-brasileiro concedeu uma entrevista exclusiva à Comunità em 2018 quando a empresa comemorou 70 anos e revelou casos surpreendentes de sucesso no mercado nacional, como o aceto balsamico

Confira a matéria na íntegra:

O trabalho que traz novidade à mesa do brasileiro

A tradição da boa mesa faz parte de algumas culturas, mas para os italianos isso é levado muito a sério e cada refeição pode se transformar numa verdadeira celebração. Na família ítalo-brasileira La Pastina não é diferente. Uma tradição mantida há várias gerações se tornou também um grande negócio de importação de alimentos e bebidas finas. Fundada pelo senhor Vicente La Pastina em 1947, a empresa se consolidou e, aos, 70 anos se orgulha dos resultados dessa trajetória. Comandada pelo empresário Celso La Pastina, filho do fundador Vicente La Pastina e da segunda geração da família, o empreendimento está posicionado entre as principais importadoras de alimentos e vinhos do Brasil.

Há 38 anos trabalhando na importadora, Celso tem a mesma postura simples do seu pai e fundador da empresa. Ele reconhece que nessa trajetória nem tudo foram acertos. Admite que na sua aventura de brand hunter pelo mundo, na busca por produtos de qualidade e competitivos, houve muitos acertos, mas alguns erros também. O chocolate e a cerveja premium, por exemplo, foram uma decepção. Segundo o executivo, o boom do chocolate e das cervejas especiais está acontecendo agora.

— O brasileiro gosta de apreciar produtos gourmet, mas acha razoável consumir o produto nacional porque é mais barato.

Por outro lado, ele afirma que se surpreendeu com a aceitação do arroz arbóreo. Para superar a resistência do consumidor a um produto totalmente novo no mercado e estimular a experimentação, a La Pastina fez promoções e vendeu tanto que o arbóreo acabou se popularizando. Outra surpresa entre as novidades que a empresa importou foi o vinagre balsâmico.

— Fomos pioneiros em importá-lo e ele hoje é um sucesso — afirma o empresário.

Com um portfólio de 3.700 produtos, a La Pastina está presente em mais de três mil pontos de venda, distribuídos por todas as regiões do país. Os alimentos e vinhos são importados de 16 países e, desde 1990, a empresa comercializa os itens alimentícios de marca própria La Pastina. Entre os alimentos mais vendidos, destacam-se o Pomodori Pelati da Passata e o arroz arbóreo La Pastina. E entre os vinhos mais apreciados, estão o clássico lambrusco Cella, ​os rótulos da vinícola Emiliana e Cono Sur, e a linha francesa J.P. Chenet.

Marca própria estimula a cultura enogastronômica

Posicionada como marca própria de valor agregado que chancela produtos gourmet, a marca La Pastina foi desenvolvida para reforçar o próprio portfólio da empresa e estimular os valores da cultura enogastronômica. Para Celso, a marca nasceu por uma necessidade de mercado. A empresa reuniu diversos produtos de qualidade, mas totalmente desconhecidas no Brasil, sob uma mesma marca, pela qual o consumidor já tinha conhecimento ou lembrança. O primeiro produto de marca própria foi um pêssego em calda da Grécia. A aceitação foi tão grande que levou a marca própria para outros alimentos.

Para integrar a família e o sobrenome La Pastina, os produtos passam por uma avaliação que considera a escala, a origem italiana e mediterrânea, e o respeito para que não haja concorrência direta com as marcas que já são parceiras da empresa. Aliado à estratégia de marca própria, outro fato que contribuiu para acelerar os negócios da empresa foi a abertura do mercado brasileiro que ocorreu na década de 1090, durante o governo Fernando Collor. A importação de itens que eram proibidos, como massas, diversas classes de arroz, queijos e vinhos, trouxe mais musculatura ao negócio.   

Com uma operação de importação consolidada e atento às tendências do mercado e do gosto do brasileiro que se tornou mais sofisticado, Celso decidiu entrar no segmento de luxo. E surpreendeu ao anunciar a compra das duas lojas da Enoteca Fasano, no Rio de Janeiro e São Paulo, em 1999. As duas lojas passaram a se chamar World Wine. O investimento surpreendeu o mercado. A empresa aumentou o faturamento da venda de vinhos em 30% e consolidou o nome no segmento de luxo.

Se as vendas de vinho nesse segmento vão bem, o mesmo não se pode dizer em relação às vendas da indústria do vinho. O consumo brasileiro per capta, de acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho, está estimado em 0,6 litros. Celso afirma que essa média está muito abaixo do potencial do país. Para ele, existem dois fatores principais para o baixo consumo: a forte resistência cultural e a elevada carga tributária. Por aqui o imposto do vinho nacional é de 55% e o do importado de 75%, diferente de países como França e Itália, onde os impostos são significativamente menores e o consumo médio é de cerca de 60 litros per capta.  

Rótulos especiais homenageiam aniversário da La Pastina e da World Wine

Para celebrar as “bodas de vinho”, ao completar 70 anos em 2017, a La Pastina lançou uma edição comemorativa do vinho Dal 1947, em homenagem ao ano de fundação da importadora. O rótulo comemorativo foi criado por Celso La Pastina e Luciano Ercolino, da vinícola Vinosia. O Dal 1947 é um vinho produzido com a uva de um autêntico vinhedo de vinhas velhas da década de 1940, localizada na vinícola Vinosia, em Maduria, que, para homenagear o fundador, foi rebatizada de Terre di San Vincenzo.

Para comemorar os 18 anos da World Wine, o empresário lançou ainda a linha de vinhos Terra Rossa, elaborados na Puglia, no sul da Itália, de onde veio a família de seu pai. Além de celebrar o aniversário da World Wine, o projeto resgata as origens. A Puglia tem clima ameno, mas, em algumas regiões mais altas, a temperatura é baixa. O solo é de origem vulcânica e muito rico em óxido de ferro, o que garante uma cor avermelhada à terra, inspirando o nome de Terra Rossa. O sobrenome italiano La Pastina é originário da região Polignano a Mare, na província de Bari, às margens do mar Adriático. A cidade, com 17 mil habitantes, está localizada sobre rochas e no entorno de falésias de calcário.

A empresa, no entanto, não foi sempre uma importadora de alimentos e bebidas. Fundada em 1947, por meio da parceria entre Vicente La Pastina, falecido há quatros anos, e o amigo Francisco Catalan, a empresa original se chamava Catalan e La Pastina e estava localizada no bairro do Brás. A primeira atividade da empresa foi o comércio atacadista de cebola. A partir do espírito empreendedor de Vicente que, aos nove anos de idade, começou a trabalhar vendendo cebolas na zona cerealista da capital paulista.

Pai e filho La Pastina

Linha do tempo

Década de 1920
Surge o primeiro armazém do senhor Vicente La Pastina

Aos nove anos de idade, Vicente La Pastina começa sua trajetória como comerciante. Ele comprava e vendia verduras para o armazém da rua Cantareira, seu primeiro emprego.

Década de 1940
Na Rua Santa Rosa, nasce um empreendedor

Vicente La Pastina inaugura a Catalan e La Pastina no dia 7 de julho de 1947, em sociedade com o amigo Francisco Catalan, na Rua Santa Rosa, 247, no Brás, para explorar o comércio atacadista de cebola.

Década de 1950
Muito além da cebola

O comércio de cebola ia muito bem, mas, com a liberação da comercialização de batatas da Holanda, a La Pastina começou a trabalhar com importação. Importou ervilha, lentilha, grão-de-bico, ameixa, uva-passa, damasco e especiarias como como canela, cravo, noz-moscada, erva-doce, pimenta da Jamaica e favas de baunilha. A importação se tornou a nova paixão de Vicente La Pastina.

Década de 1960
Momentos de dificuldade

A La Pastina se torna a maior exportadora de grãos do país, trabalhando com gergelim, urucum, sorgo, arroz, farinha de mandioca e milho, mas, em janeiro de 1963, a família viu a água levar tudo embora. Do comércio aos objetos da própria casa, a histórica enchente do rio Tamanduateí levou embora muitos sonhos. Isso aconteceu outras cinco vezes, imprimindo o sentimento de resiliência ao DNA da empresa.

Década de 1970
A participação do filho nos negócios

A La Pastina desiste da exportação e foca na importação de produtos para consumo final, como azeite, vinhos chilenos, portugueses e italianos. Em 1978, Celso La Pastina começa a trabalhar com seu pai.

Década de 1980
Nova paixão

Em 1985, a La Pastina se tornou uma das importadoras de vinho mais importantes do Brasil. No mesmo ano, começa a construção da primeira sede da empresa, na Rua Alfândega, no bairro do Brás. Em 1987, a irmã de Celso, Vera La Pastina ingressa na empresa.

Década de 1990
Marcas próprias

Com a abertura dos portos, a La Pastina substitui a comercialização de commodities por produtos de maior valor agregado, como conservas e vinhos de produtores exclusivos. Neste período, Celso La Pastina tem a ideia de consolidar grande parte dos produtos importados, sob a marca própria La Pastina. Em 1999, nasce a World Wine para venda de vinhos finos importados com exclusividade.

Década de 2000
Chegada da terceira geração e inauguração do Centro de Distribuição

Em 2003, Juliana, filha de Celso, assume a gerência de produtos da La Pastina. Hoje é a gerente de marketing da World Wine e, junto com o pai, trabalha na expansão e consolidação da marca. Em 2007, a World Wine se posiciona como a terceira maior importadora de vinhos finos do país e o grupo comemora a inauguração de um centro de distribuição no bairro do Ipiranga, em São Paulo, com  1.500 metros quadrados de câmaras climatizadas e capacidade de armazenagem para 500 containers. A empresa ocupa 16 mil metros quadrados e foi construída com padrões de sustentabilidade, com captação de água das chuvas, sistema automatizado para racionalização do uso de energia elétrica e iluminação natural.

La Pastina e World Wine

Em fevereiro deste ano, o chef Douglas Benatti, da Enosteria Vino e Cucina, restaurante do grupo La Pastina e World Wine, conversou com a Comunità sobre a união entre gastronomia com referências do sul da Itália e famosa loja de vinhos

Restaurante que faz parte do grupo La Pastina e World Wine, a Enosteria Vino e Cucina tem em seu cardápio pratos que remetem à região da Puglia, no sul do Belpaese. O diferencial da casa é a possibilidade de escolher os vinhos na loja da World Wine, que tem uma entrada para o restaurante, com um acervo constituído por mais de 2000 rótulos.

A cozinha está sob o comando do chef Douglas Benatti, que começou sua carreira longe das panelas.

— Eu era gerente de lojas, entre 1998 e 2008, e estava querendo fazer uma faculdade. Fiz teste vocacional e o resultado foi artes, alguma coisa que pudesse ser feita com as mãos, e cheguei à conclusão que era gastronomia. Não cozinhava bem, não tinha tanto estímulo e foi mais para ter uma profissão. Comecei a faculdade e me encantei pela área. Quando comecei a estagiar, ao mesmo tempo que foi uma ‘surra’, foi onde peguei mais amor, fui apanhando, e aquilo me motivou mais a ser alguém e fazer tudo do bom e melhor. E assim comecei na gastronomia — conta o chef.

Benatti era subchefe de outro restaurante quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Enosteria.

— O restaurante em que eu trabalhava fez uma parceria com o grupo La Pastina e World Wine e montaram um novo restaurante com este grupo, o Modi, e acabei cuidando desta unidade sozinho. O restaurante era no mesmo lugar em que a Enosteria é hoje. Acabei saindo do Modi e depois de um ano essa parceria acabou. O Grupo La Pastina tinha gostado do meu trabalho e eles me convidaram para tocar o projeto da Enosteria junto com o Jeremias La Pastina e o Celso La Pastina — enfatiza Benatti.

Orecchiette, uma das gratas surpresas da cozinha de Benatti

Hoje, o chef Douglas Benatti está à frente de uma equipe que executa receitas com muita história, enaltecendo a gastronomia italiana, que é um dos maiores patrimônios culturais do país da bota.

Um grande sucesso da Enosteria é a massa chamada de orecchiette, que tem esse nome por ter um formato parecido com uma orelha. Com ragu de linguiça e pimenta, ela é feita diariamente e imprime a autenticidade das raízes do sul italiano. O prato é destaque no cardápio que tem ainda o tortellini recheado com javali e a paleta de cordeiro laqueada com fregola entre os mais pedidos.

— Destaco também, nas entradas, o ravióli de gema e a polenta com ragu de cogumelo. Entre os pratos principais, o Linguine nero, com ragu de frutos do mar também faz sucesso, e entre as sobremesas temos o clássico tiramisù — menciona Benatti.

Para o chef, o ambiente familiar e o afeto pela comida caseira — com receitas da mãe e da avó transmitidas pela família La Pastina e impressas no menu e nos pratos da casa — são os pontos altos da Enosteria.

— É um restaurante aconchegante, pequeno, mas acolhedor, tanto na comida e no atendimento, quanto no ambiente. E, claro, também usamos produtos de qualidade, o que valoriza nosso menu — finaliza Benatti.

Orecchiette

Sapori d’Italia – Puglia como inspiração

Rendimento: 4 a 5 porções
Ingredientes:
1kg de linguiça toscana fresca; 20g alho picado; 50g cebola picada; 50ml vinho branco; 500g molho de tomate; 5g pimenta calabresa; Sal a gosto; Pimenta preta a gosto; 500g de orecchiette; 150g de friarielle.
Modo de preparo:
Refolgue o alho e a cebola; em seguida a linguiça sem a pele, mexendo sempre. Deixe no fogo por cinco minutos e logo após coloque o vinho branco, soltando todo o fundo da panela. Coloque o molho de tomate e cozinhe por 15 minutos. Tempere e ajuste com a pimenta calabresa, sal e pimenta preta. Cozinhe o orecchiette por 13 minutos em água fervente. Adicione a massa ao molho. Finalize o prato com o friarielle e farofa temperada ou parmesão a gosto.

Serviço
Enosteria Vino e Cucina
Rua Jacques Felix, 626 A – Vila Nova Conceição – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2774-1710
Horários de Funcionamento: terça-feira a sábado,
das 12h às 23h, e domingo, das 12h às 17h.
www.enosteria.com.br

Comunità Italiana

A revista ComunitàItaliana é a mídia nascida em março de 1994 como ligação entre Itália e Brasil.

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