O governo da Itália deve instituir uma taxa contra embalagens de plástico que não podem ser reutilizadas, como forma de aumentar a arrecadação e incentivar o uso de materiais recicláveis  

O valor será de um euro por quilo da embalagem e está previsto na Lei Orçamentária para 2020, que será levada ao Parlamento nos próximos dias. O foco da medida são os chamados plásticos “monouso”, com exceção de seringas.   

O tema foi discutido durante várias semanas pelo governo e é motivo de discórdia entre os partidos da base aliada. A legenda de centro Itália Viva (IV), do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, promete combater o imposto do plástico no Parlamento.   

“Peço a todos que nos deem uma mão e sigam nossa batalha no Parlamento”, disse o ex-premier, um dos fiadores do governo de Giuseppe Conte. Já o populista Movimento 5 Estrelas (M5S) e o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, apoiam a medida.   

Apesar da polêmica, os plásticos “monouso” estão destinados a desaparecer, já que a União Europeia proibirá esse tipo de produto a partir de 2021, incluindo talheres, pratos e cotonetes. Por outro lado, a Lei Orçamentária prevê incentivos fiscais para empresas que produzirem plásticos biodegradáveis ou recicláveis.   

O valor do benefício pode chegar a 10% do total gasto pela indústria para adaptar o maquinário. O governo da Itália também pretende aumentar a taxação sobre alimentos e bebidas com alto teor de açúcar.   

O país busca formas de elevar a arrecadação para evitar uma escalada do déficit fiscal, questão que vem motivando polêmicas com a União Europeia nos últimos anos. A Itália tem a segunda maior dívida da zona do euro, equivalente a 134% do PIB. (com dados da Ansa)