O risco de um iminente desabamento em uma das geleiras mais importantes do maciço do Monte Bianco (ou Mont Blanc, em francês) colocou a Itália em alerta e jogou nova luz sobre os efeitos do aquecimento global no planeta.   

O Planpincieux é um glaciar suspenso que fica na face sul do monte Grandes Jorasses, montanha de 4,2 mil metros situada no maciço do Monte Bianco, na região do Vale de Aosta, extremo-norte da Itália.   

A geleira tem 2,4 quilômetros de extensão e cobre uma área de mais de 1,3 mil quilômetros quadrados, de 2,3 mil a 3,6 mil metros de altitude. Mas, segundo técnicos de Aosta, um bloco de 250 mil metros cúbicos de gelo pode se desprender a qualquer momento e cair sobre uma estrada na cidade de Courmayeur.   

A previsão se baseia na aceleração do movimento do glaciar, que chegou a uma velocidade de 50 a 60 centímetros por dia. A possível queda não afeta centros habitados, mas as autoridades ordenaram a evacuação de alguns chalés de montanha e fecharam a estrada que passa sob a geleira.   

O Planpincieux é particularmente sensível às mudanças climáticas por causa de sua altitude relativamente baixa e é monitorado de perto por pesquisadores. Para reforçar esse cuidado, o Departamento de Recursos Hídricos do Vale de Aosta instalará nesta quinta-feira (26) um radar que vigiará a geleira 24 horas por dia, em tempo real.   

A tecnologia será capaz de operar em condições de baixa visibilidade e integrará o atual monitoramento fotográfico, que não foi desenvolvido para ser um sistema de alerta. “A notícia de que um glaciar no Monte Bianco arrisca colapsar é um alerta que não pode nos deixar indiferentes. Deve nos chocar e nos mobilizar”, disse o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, em seu discurso nas Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (24).   

Meteorologistas preveem uma queda de temperatura e uma leve nevasca na noite desta quarta (25), o que deve ajudar a deter a massa de gelo, porém o problema pode se repetir em breve. Segundo relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), a “perda global de geleiras, o derretimento de permafrost [solo congelado] e o declínio da cobertura da neve e da extensão dos glaciares estão destinados a continuar por causa do aumento da temperatura do ar na superfície”.   

De acordo com o estudo, a grandeza desses fenômenos deve crescer substancialmente a partir da segunda metade do século 21. O IPCC ainda apontou que as mudanças climáticas provocarão um “aumento sem precedentes” na temperatura dos oceanos e o crescimento do nível dos mares. (Ansa)