O chamado “Mezzogiorno” sofre com recessão e desemprego

Um relatório divulgado na segunda-feira (4) evidenciou o crescente abismo entre o norte e o sul da Itália, apesar das promessas dos últimos governos de dar mais atenção à parte meridional do país.

O estudo foi feito pela Associação para o Desenvolvimento da Indústria do Mezzogiorno (Svimez), porção da Itália que engloba as regiões de Abruzzo, Basilicata, Calábria, Campânia, Molise e Puglia, além das ilhas da Sardenha e da Sicília.

O sul da Itália abriga cerca de 21 milhões de pessoas e sofre com a ausência de políticas públicas para incentivar o emprego e combater a desigualdade econômica e social em relação ao norte.

Segundo o relatório da Svimez, enquanto o PIB da Itália deve crescer 0,2% em 2019, a economia do sul encerrará o ano em recessão, com queda de 0,2%. Já a previsão para o centro-norte é de expansão de 0,3%.

“A Itália segue o perfil de crescimento europeu com uma intensidade cada vez menor, e o Mezzogiorno antecipa as fases de crise”, diz Luca Bianchi, diretor da associação. Segundo ele, o PIB da Itália meridional está 10 pontos abaixo do nível de 2008, antes do início da crise no país, enquanto o do centro-norte é 2,4 pontos menor que a cifra de 10 anos atrás.

Além disso, o estudo mostra que o sul precisaria criar 3 milhões de postos de trabalho para alcançar os níveis de ocupação do centro-norte. A diferença nas taxas de desemprego entre essas duas partes do país subiu de 19,6% para 21,6% em uma década.

Desde o início do século, 2 milhões de pessoas foram embora do Mezzogiorno, sendo que a metade corresponde a jovens de até 34 anos. “O tecido social e econômico do nosso sul está sofrendo de diversas maneiras. Há muito ainda a se fazer para garantir perspectivas de emprego adequadas”, reconheceu o primeiro-ministro Giuseppe Conte, que prometeu um plano para o Mezzogiorno ainda neste ano.

Já o ex-ministro do Interior Matteo Salvini, que passou um ano e três meses no poder, afirmou que o governo Conte causa “danos para a economia de todo o país, de norte a sul”. (com dados da Ansa)