Cidade desconhecida pelos circuitos mais batidos e inflacionados do turismo de massa, Treviso é caracterizada por um valioso centro histórico e está rodeada por um cenário natural particularmente impressionante.

Localizada no Vêneto, símbolo do Nordeste italiano ativo e produtivo, no qual se resumem muitas características da boa vida italiana: oásis de paz e tranquilidade e ao mesmo tempo cidade animada devido a muitos eventos, lojas, ateliês, bares e restaurantes: A secretária de Turismo Lavinia Colonna Preti nos acompanha ao longo desta nova etapa da viagem de Comunità rumo à descoberta das cidades do Belpaese.

— Treviso é um borgo pequeno, porém encantador, onde é sempre possível fazer uma pausa entre seus canais, lugares ricos em história e arte, e suas mansões imersas no verde da vegetação a poucos quilômetros de Veneza — resume Lavinia.

Por ser muito central e por ser o local onde as pessoas de Treviso gostam de se reunir, a Piazza dei Signori é o coração pulsante da cidade, onde encontramos os edifícios mais simbólicos, como o Palazzo del Podestà, a Torre Cívica e o Palazzo dei Trecento, antiga sede dos órgãos representativos do município, construído no século XII e decorado com magníficos afrescos de 1200. A poucos passos da praça, há outros tesouros ao ar livre.

— Primeiramente, há a Fontana delle Tette, construída no século XVI ao fim de uma seca severa. Há um tempo atrás, dos seios esculpidos nesta fonte jorravam vinho tinto e vinho branco em comemoração às eleições do novo Podestà. Ainda hoje, simboliza a alma prazerosa da nossa cidade que, não por coincidência, no século XIII foi denominada Marca Gioiosa et Amorosa — enfatiza o conselheiro de Treviso.

Passamos, então, à Loggia dei Cavalieri, uma construção única do final do século XIII, destinada a sediar os jogos da nobreza da época. O centro histórico é atravessado pelo rio Botteniga, cercado pelo rio Sile e pelas muralhas do século XVI.

— O passeio ao redor dos muros nos permite admirar as maravilhosas mansões com vista para as águas calmas de ambos os rios e, de lá, também é possível prosseguir pelas importantes ciclovias que se cruzam exatamente em Treviso, dentre as quais a GreenWay que leva ao mar — destaca Colonna Preti.

Primeira pintura do mundo de um homem com óculos

Entre os museus locais, o de Santa Caterina abriga o célebre ciclo de Sant’Orsola do século XIV, uma autêntica obra-prima de Tomaso da Modena, famoso por ter sido o primeiro pintor italiano a pintar costumes e tradições da época com detalhes que impressionam.

— É possível, justamente em nossa cidade, admirar uma de suas obras, reconhecida internacionalmente por ser a primeira representação no mundo de um homem com óculos — comenta a secretária.

Outra parada imperdível é o Museu Luigi Bailo, “que abriga, por sua vez, a maior coleção de obras de Arturo Martini, o mais influente escultor italiano do século XX; e de Gino Rossi, o mais famoso impressionista italiano”. Indo além, para os amantes do verde e das paisagens, “basta meia hora de estrada para encontrarmos verdadeiros paraísos de encosta, onde é possível viver experiências extraordinárias mergulhados na natureza”.

O conceito de experiência é a chave para despertar o interesse do turista contemporâneo, sempre em busca de momentos únicos e irrepetíveis, que vão além das atrações habituais. A partir deste ponto de vista, Treviso garante uma mistura perfeita de arte, natureza e sabores.

— Treviso se beneficia por ser o centro de importantes rotas de ciclismo como a Mônaco-Veneza, mas, de forma geral, é um destino adequado a todas as exigências do ser humano: possui oferta de alta qualidade e está longe de todos os problemas das capitais afetadas pelo congestionamento do turismo de massa — ressalta Colonna Preti.

A pátria do tiramusù, do risoto de radicchio e do prosecco

Em âmbito culinário a cidade possui poucos rivais.

— Os gulosos, e também os menos gulosos, serão conquistados pelo coração enogastronômico de Treviso: a Isola della Pescheria, considerada o mercado de peixe mais característico do mundo, e que também abriga um dos tantos moinhos presentes na cidade — avisa Lavinia.

Após o mercado de peixe, ganham vida dezenas de tavernas esplêndidas, os nossos tradicionais winebars e, a uma curta distância, a Ponte dei Buranelli, que oferece a possibilidade de fotografar uma das vistas mais características de Treviso, da qual avista-se o homônimo Canal. As tavernas de Treviso, além de oferecerem um ambiente inimitável, nos convidam a provar vinhos e pratos de excelência.

— Vinhos extraordinários são produzidos localmente. Podemos citar o Prosecco, o Cabernet Sauvignon, o Cartizze e o Torchiato de Fregona, que se harmonizam divinamente com sabores locais como o radicchio, os aspargos, os cogumelos, as castanhas, os queijos, as carnes caipiras e os embutidos.

A qualidade, a riqueza e a variedade da oferta enogastronômica de Treviso fazem dela uma das suas principais atrações. Basta pensar nos deliciosos bigoli, no gnocchi e no tagliatelle com molho de carne e com o especial molho de pato. Há também muitas receitas com peixes inspiradas na lagoa de Veneza, tais como a tradicional enguia in padella ou frita.

— Nos restaurantes também é possível saborear deliciosos risotos, e o de radicchio ocupa o primeiro lugar da fila — acrescenta Preti.
E, por falar em radicchio, o Rosso di Treviso e o Variegato di Castelfranco “representam os símbolos da culinária local”. Treviso também reivindica a progênie de uma das sobremesas mais famosas e amadas de toda a tradição gastronômica italiana.

— Foi Treviso que, de fato, inventou o tiramisù. Há uma escritura pública da Accademia Italiana della Cucina, apresentada em 15 de outubro de 2010, que atesta como a verdadeira receita do Tirame su, como é chamado em nosso dialeto, a receita autêntica do restaurante Alle Beccherie, datada de 1962 e ainda servida no mesmo local —declara sem hesitação a secretária.
Não por acaso o famoso campeonato Tiramisù World Cup acontece em Treviso, “um evento também conhecido no Brasil, cuja próxima edição acontece em novembro, e todos estão convidados a participar”, avisa.

Ciclovias e festivais de música antiga fazem parte do roteiro

Treviso ainda não foi atacada pelo turismo de massa, que faz com que a vizinha Veneza fique inabitável. O turismo por aqui, no entanto, está em constante crescimento. Em 2017, as chegadas e as estadias aumentaram 12% em relação ao ano anterior. A tendência positiva diz respeito tanto aos turistas italianos quanto aos estrangeiros. A província inteira contou com 974.500 chegadas e com mais de dois milhões de estadias. O Município de Treviso sozinho registrou um aumento de 14% de chegadas e de 15% de estadias. Em 2018, o crescimento foi ainda mais substancial, apesar de ser necessário esperar mais algumas semanas para que saiam os dados definitivos.

— Treviso é o destino ideal do chamado Slow Tourism, uma forma de viajar que se difundiu nos últimos anos e que se opõe ao turismo rápido de tanto sucesso. A ideia do turismo lento envolve uma melhoria da qualidade da experiência turística e uma imersão do viajante na cultura local, que se baseia no respeito às suas tradições. Treviso oferece exatamente isso: é uma cidade autêntica e animada, mas com fluxos turísticos contidos, onde é possível sentir-se imediatamente em casa e ser considerado cidadão antes de ser visto como turista — resume Preti.

A administração local está trabalhando para tornar a cidade ainda mais fascinante e atraente.

— Estamos implementando um programa de quatro anos de grandes exposições de arte em nível internacional. A primeira será inaugurada no próximo mês de outubro, além de outros grandes eventos ligados ao esporte e à boa comida — revela.

Eventos estes que serão acrescentados aos numerosos festivais que já caracterizam a cidade, como o VivaVoce, dedicado à música, à capela e aos corais, assim como os festivais de música antiga, destinados a realçarem a extraordinária herança de órgãos e instrumentos musicais antigos, dentre os quais podemos citar um cravo do século XVIII que funciona perfeitamente, único na Europa, que está exatamente na cidade de Treviso. Não faltam festivais de jazz e de guitarra, nem mesmo mostras literárias e culinárias. De janeiro a dezembro há sempre algo a se fazer, resume.

Ganharam também grande atenção da administração as novas formas de turismo sustentável.

— Estamos aprimorando especialmente as ciclovias. No Vêneto existem dois mil quilômetros de ciclovias e acreditamos que as representem uma forma extraordinária de vivenciar a grande variedade e beleza do nosso território. Estamos trabalhando para melhorar todos os serviços ligados à oferta turística de nossa cidade, da mobilidade à segurança, pois quem vem a Treviso deve sentir-se, antes de tudo, feliz — promete.

O setor de turismo, enquanto isso, está se tornando cada vez mais valioso para a economia local. Em 2017 um imposto turístico foi introduzido, graças ao qual o departamento de turismo “pode contar com cerca de 165 mil euros, que são reinvestidos em cultura e serviços destinados a melhorar ainda mais a permanência dos hóspedes na cidade”.

“Muitos visitantes são brasileiros em busca de suas raízes vênetas”
Uma particular atenção por parte dos administradores de uma cidade como Treviso não poderia deixar de ser reservada à ligação que a cidade possui com o país sul-americano. Treviso, assim como muitas partes do Vêneto nos séculos passados, ​​experimentou uma imigração em massa em direção ao Brasil.

— Há tantos hóspedes brasileiros que chegam a Treviso com a ideia de visitar e aprender sobre a terra de seus antepassados. Enche-nos de alegria observar como essas pessoas, mergulhadas na energia contagiosa de Treviso, se sentem imediatamente em casa. Não é por acaso que, ainda hoje, muito carinho ligue o território brasileiro às terras de origem dos seus imigrantes, em particular ao estado de Santa Catarina, onde cerca de 80 por cento da população é de descendência vêneta — afirma a secretária.
A administração municipal de Treviso já realizou várias iniciativas em colaboração com instituições brasileiras que visam estreitar as relações entre os dois países.

— A nossa Fundação Marca Treviso, órgão responsável pelas políticas de turismo junto à Região do Vêneto, tem participado frequentemente de feiras e eventos no Brasil, como o World Travel Market Latin America de São Paulo. Em Treviso, a associação Trevigiani nel Mondo é muito ativa, da qual o nosso prefeito também foi vice-presidente. É uma associação que visa valorizar as respectivas culturas e que opera através de intercâmbios de hospitalidade e apoio a famílias que desejam encontrar seus parentes — informa.

Antes de se despedir, a representante da prefeitura revela seus laços muito próximos com o território brasileiro.

— Meu pai morou no Rio de Janeiro por quase dez anos antes de voltar para a Itália, pois lá conheceu minha mãe. Minha infância foi marcada pela saudade que ele sentia do seu maravilhoso Brasil, uma saudade contagiante e que me transmitiu junto com um amor ilimitado pelo país de vocês. Portanto, não posso deixar de esperar que os nossos países encontrem uma maneira de realizar projetos conjuntos — finaliza.