Os filiados do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) aprovaram a formação de uma aliança de governo com o Partido Democrático (PD), principal sigla de centro-esquerda na Itália, nesta terça-feira (3). De acordo com a Associação Rousseau, entidade responsável pela plataforma homônima que serve como ferramenta online de democracia direta do M5S, 79.634 pessoas participaram da consulta, com 63.146 votos “sim” (79,3%), e 16.488 votos “não” (20,7%).

Ainda de acordo com a associação, 117.194 inscritos poderiam ter participado da votação, que era restrita a filiados do Movimento 5 Estrelas.

“Acho que devemos ficar muito orgulhosos pelo fato de todos terem esperado o pronunciamento desses 80 mil cidadãos italianos em uma plataforma digital que é única no mundo”, disse o líder do M5S e vice-premier da Itália, Luigi Di Maio, até então crítico feroz do PD.   

“Em menos de um mês, resolvemos uma crise de governo de um jeito diferente, não no segredo dos palácios”, acrescentou.

Segundo Di Maio, o próximo passo é definir os nomes dos novos ministros, tema que ainda é motivo de embate entre os dois partidos.

“Não será um governo de direita ou esquerda, mas um governo que deve fazer as coisas certas”, afirmou.   

Criada pela empresa de consultoria digital Casaleggio Associati, “dona” do M5S, a plataforma Rousseau é a principal ferramenta do projeto de democracia direta do partido, mas não é auditada de forma independente.   

A página é gerida pela Associação Rousseau, presidida por Davide Casaleggio, responsável pela Casaleggio Associati e filho de Gianroberto Casaleggio (1954-2016), o “ideólogo” do movimento. O site é financiado pelos próprios parlamentares do M5S, que precisam desembolsar 300 euros por mês para pagar as despesas.   

O total de eleitores que participaram da votação desta terça representa 0,13% da população italiana. Até hoje, nunca uma eleição na Rousseau contrariou a vontade das lideranças do Movimento 5 Estrelas.   

“Com o fim do trabalho programático, demos mais um passo na direção de um governo de reviravolta. Reduzir os impostos sobre o trabalho, desenvolvimento econômico, economia verde, retomada da educação, modificação radical dos decretos de segurança [bandeiras do ministro do Interior Matteo Salvini]. Vamos mudar a Itália”, disse no Facebook o secretário nacional do PD e governador do Lazio, Nicola Zingaretti. 

(com informações do Corriere della Sera)