Domenico Dolce e Stefano Gabbana exibiram, neste domingo (24), sua visão da elegância em um espetáculo “retrô”, enquanto Antonio Marras transportou o público para o ateliê de Modigliani, no encerramento da semana de moda de Milão

Como se tornou um hábito, o desfile da Dolce&Gabbana aconteceu durante a tarde no Metropol, a sede da empresa de alta-costura em Milão.

Na abertura, surpreenderam com um vídeo em preto e branco mostrando os dois estilistas trabalhando em seu ateliê, desenhando as roupas, cortando tecidos e definindo detalhes da coleção, enquanto a música de Nino Rota tocava ao fundo.

Ao final do vídeo, a luz passou a iluminar o palco, onde pesadas cortinas vermelhas se abriram, mostrando dois monumentais jarros de flores e um lustre de cristal, evocando um teatro de outra época.

As modelos começaram a desfilar sob a música do filme “Amarcord”, de Federico Fellini, enquanto um mestre de cerimônias comentava em inglês de seu púlpito como em um desfile de antigamente.

“Senhoras! Se querem ser tão bonitas quanto uma pintura da Renascença, esses vestidos são para vocês!”, disse o mestre de cerimônias.

O resto do desfile foi acompanhado de novos comentários sobre os materiais utilizados, elementos decorativos e fontes de inspiração.

Depois do smoking que abriu o desfile, passaram pela passarela vestidos noturnos mais leves, como saídos de filmes de Hollywood, e em cores típicas das confeitarias sicilianas: cannolo, cassata ou marzipã.

Depois, vestidos decorados com motivos inspirados nas obras de arte surrealista.

As modelos exibiram brocados, lantejoulas e flores “para incorporar a nova primavera de Botticelli”, segundo o mestre de cerimônias.

Para fechar o espetáculo, “preto, preto e mais preto”, outra marca registrada do estilo da casa italiana.

O ateliê de Modigliani

Um pouco mais tarde, o estilista Antonio Marras também transportou o público para outra época, embora neste caso mais especificamente para a Paris cheia de artistas no início do século XX, como Pablo Picasso, Chaim Soutine, Kiki de Montparnasse… E, obviamente, Modigliani.

Foi o ateliê deste pintor italiano que o estilista recriou em seu salão em Milão.

A decoração foi despojada: cadeiras diferentes, sofás antigos, algumas cadeiras danificadas para o público se acomodar, mesas cobertas com pincéis, telas no chão, cavaletes, lençóis, espelhos antigos…

“Há muita França nesse desfile”, disse Marras no backstage do desfile.

“Eu queria recriar o ateliê de Modigliani em Paris como uma casa, um quarto onde artistas se reúnem, vivem, pintam. Nesta forma de habitar o espaço, mas também de se vestir da maneira mais conformista quanto possível”, acrescentou.

Desta forma, o costureiro transformou seu desfile em um verdadeiro show teatral.

Para isso, atores declamaram diálogos sobre cenas da vida de Modigliani e se misturaram aos modelos que desfilavam, em claro rompimento com o habitual cerimonial das passarelas.

A paleta de cores da coleção vai do rosa antigo ao bordô ou violeta, o verde militar ou o marrom. Os mosaicos de materiais que o estilista domina brincam com tule, véus, lã e lantejoulas.

A modernidade das formas se entrelaça com referências ao passado, como um vestido composto por uma jaqueta esportiva com capuz e aplicações de renda.

Em geral, foi um espetáculo ao vivo para contar a moda como Marras a concebe: cheia de referências, culta e comprometida.

(AFP)