Uma aliança de direita liderada por Matteo Salvini venceu a eleição regional de domingo (27) em Umbria, reduto da esquerda, em um duro golpe para a coalizão que governa a Itália

A candidata de direita, a advogada Donatella Tesei, membro da Liga e também apoiada pelo partido Força Itália (de Silvio Berlusconi) e os neofascistas do partido Irmãos da Itália, recebeu 57,55% dos votos.

Seu rival, Vincenzo Bianconi, apoiado por uma aliança, inédita a nível local, entre o Partido Democrata (PD, centro-esquerda) e o antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5E), obteve 37,5%, de acordo com os resultados parciais.

Esta é a primeira eleição para a coalizão que governa a Itália há menos de dois meses, formada pela esquerda e o M5S, em substituição a uma coalizão de linha populista entre a Liga e o M5S que durou pouco mais de um ano.

Umbria tem apenas 900.000 habitantes, mas a eleição local era considerada um teste para a coalizão.

Salvini, que viajou a Perugia, capital de Umbria, para celebrar a vitória ao lado de Tesei, considerou os resultados “extraordinários”.

O ex-ministro do Interior elogiou os moradores de Umbria “por terem escolhido a liberdade em nome de 60 milhões de italianos”, em referência às legislativas que ele exige desde que provocou o colapso, em 8 de agosto, de sua aliança com o M5E.

“Seus dias estão contados”, afirmou Salvini para o primeiro-ministro do país, Giuseppe Conte, o líder do M5E, Luigi di Maio, e para Nicola Zingaretti, líder do PD.

Para o político de extrema-direita, o atual Executivo e os ministros dos dois partidos “ocupam de forma abusiva e momentânea o governo nacional”.

Salvini faz campanha por novas eleições o mais rápido possível, antes do fim da atual legislatura, previsto para 2023.

Conhecido por sua política contrária aos migrantes, Salvini venceu a aposta e superou a esquerda em uma região agrícola que esta governava há 70 anos.

Em seus comícios, ele prometeu uma reação à grave crise econômica em uma região que já foi próspera, afetada por uma série de terremotos, incluindo o de Amatrice em 2016 que deixou 300 mortos.

O PD (quase 22%) foi afetado por um escândalo de corrupção na área da saúde, que provocou a redução do mandato da atual governadora.

O grande perdedor nas urnas foi o M5S, com apenas 7,4% dos votos, contra 32% a nível nacional nas eleições legislativas de março de 2018.

“Pensamos que um pacto cidadão para Umbria poderia ser uma prova (de uma aliança local com o PD), mas a experiência não funcionou”, destacou o M5E em sua página no Facebook.

A taxa de participação foi de 64,4%, nove pontos a mais que o registrado em 2015. (AFP)