O deputado Americo de Grazia, acusado pelo governo de Nicolás Maduro de estar envolvido na fracassado revolta militar da semana passada na Venezuela, se refugiou nesta quinta-feira (09) na embaixada da Itália, em Caracas, para evitar ser detido e exibido como um “troféu”, de acordo com o próprio parlamentar.

“Não darei à narcoditadura o gosto de me exibirem como troféu e me usarem como refém em troca de perdoá-los por seus crimes contra a humanidade, pelas violações dos direitos humanos, pela corrupção, pelo narcotráfico e pelo terrorismo. Sigo na luta, a Venezuela vale a pena, e agradeço o amparo da Itália”, disse o deputado no Twitter.

De Grazia, de 59 anos, é um dos dez deputados acusados recentemente pelo chavismo de fazer parte da fracassada revolta militar da última terça-feira, que foi liderada pelo presidente do parlamento da Venezuela e líder da oposição, Juan Guaidó.

A Assembleia Nacional Constituinte, composta apenas por aliados de Maduro, revogou a imunidade parlamentar dos acusados após o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela (TSJ) decidir que De Grazia e os outros nove deputados são responsáveis pela rebelião.

O deputado eleito pelo estado de Bolívar, no sul do país, denunciou a entrada de paramilitares colombianos na região e os acusou de controlar máfias que extraem minerais ilegalmente.

“Não pretendo ser herói, nem mártir, com essa ação. Só quero ser útil para o meu país”, disse De Grazia sobre o refúgio.

“Quero dar à minha família, sobretudo à minha mãe e aos meus filhos, um pouco de paz. Sei de todas as limitações que serão impostas a mim com essa decisão que me vi forçado a tomar”, complementou.

Ainda não se sabe qual o status do deputado com o governo da Itália. Já a também parlamentar Mariela Magallanes, do mesmo partido, se refugiou na residência do embaixador italiano em Caracas para evitar ser presa.

Por sua vez, o deputado Richard Blanco pediu proteção como hóspede na embaixada da Argentina na capital venezuelana.

Ontem, o primeiro vice-presidente do parlamento da Venezuela, Édgar Zambrano, foi detido por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) depois de ter sido considerado pelo governo, pelo Ministério Público e pelo Tribunal Supremo de Justiça como “conspirador” e “traidor da pátria”.

(EFE)