Nesta quarta-feira (25), o Cônsul-Geral da Itália no Rio de Janeiro, Paolo Miraglia, prestou uma homenagem a Renato Sbragia ao entregar para seus familiares a Medaglia de Honra, conferida a cidadãos italianos, militares e civis, deportados e internados nos Lager nazistas e destinados aos trabalhos forçados para a economia de guerra.

Neyse Sbragia, esposa de Renato, recebe a Medalha de Honra das mãos do Cônsul-Geral, Paolo Miraglia

Falecido aos 96 anos, Sbragia nasceu em Lucca, Toscana, em 1919. De família pobre e órfão de pai muito cedo, ele foi internado aos sete anos de idade no Ricovero degli Artigianelli, um abrigo de menores, onde permaneceu por 11 anos.

Na escola primária, Renato recebeu educação musical. Seu primeiro instrumento foi um violino e em seguida passou a estudar o contrabaixo no hoje Instituto Musicale “Luigi Boccherini”, onde lecionava o professor Armando Galli, primeiro contrabaixo da Orchestra Maggio Musicale Fiorentino.

Em 1941, Sbragia foi chamado para o serviço militar, primeiro em Palermo, onde trabalhou no Teatro Massimo e, em seguida, foi requisitado e transferido para Tirana, na Albânia, onde fazia parte da Orquestra Sinfônica do IX Corpo d’ Armata.

Em setembro de 1943, ele foi feito prisioneiro pelos alemães e enviado para Dortmund, onde “trabalhou” por 19 meses, 12 horas por dia para fazer o trabalha mais pesado em uma fábrica de fios de aço.

Com o fim da guerra, em agosto de 1945, ele retornou à Itália e à sua música. Dois anos depois ele foi recomendado e convidado a participar da Orquestra Brasileira do Rio de Janeiro.

Renato Sbragia foi o primeiro contrabaixo da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e também da Orquestra Sinfônica da Rádio do Ministério da Educação. Em 1992, foi nomeado professor de Contrabaixo na Escola de música “Villa Lobos”.