Dois embriões de rinoceronte branco do Norte foram criados em laboratório para tentar salvar esta espécie da extinção – anunciaram na quarta-feira (11) em Cremona, no norte da Itália, os cientistas que participam do projeto

“Usando os óvulos das duas últimas fêmeas e o esperma congelado dos machos mortos”, uma equipe internacional de cientistas conseguiu “criar com êxito dois embriões de rinoceronte branco do Norte”, anunciaram vários participantes no projeto em uma declaração conjunta.

“Os embriões serão mantidos em nitrogênio líquido a uma temperatura muito baixa para serem transferidos para uma mãe portadora em um futuro próximo”, acrescentou a mesma fonte.

Estes embriões representam a última esperança para o rinoceronte branco do Norte – uma das duas subespécies do rinoceronte branco -, após a morte aos 45 anos, no ano passado, do último macho, chamado Sudan, na reserva queniana de Ol Pejeta (centro).

As duas fêmeas, Najin, de 30, e sua filha, Fatu, de 19, são os últimos indivíduos de sua espécie e vivem placidamente em Ol Pejeta.

Nenhuma delas conseguiu terminar uma gravidez com sucesso: Fatu sofre de lesões degenerativas no útero, e Najin sofre uma fragilidade nos membros posteriores, incompatível com uma gravidez.

“Do Quênia, transportamos dez óvulos, cinco de cada fêmea”, explicou o professor Cesare Galli, diretor da Avantea, uma empresa de Cremona altamente especializada na reprodução animal.

“Depois da incubação (…) sete óvulos foram considerados aptos para a fertilização, quatro de Fatu e três de Najin”, afirmou o especialista.

Destes sete óvulos, quatro foram inseminados com o esperma de um rinoceronte e três com o do outro. “Depois de dez dias de incubação, dois óvulos de Fatu se converteram em embriões, os quais serão preservados para sua futura transferência”, acrescentou Galli.

A partir de zero

Os cientistas agora precisam desenvolver uma técnica para implantar estes embriões em mães portadoras, neste caso, fêmeas de rinoceronte branco do Sul.

“Toda equipe levou anos para desenvolver e planejar estes procedimentos”, relatou o professor Thomas Hildebrandt, do Instituto Leibniz de Pesquisa Zoológica e Animal de Berlim (Alemanha).

Há três semanas, quando recolhia os óvulos no Quênia, o cientista lembrou que “o método (amostragem) e o equipamento foram desenhados a partir do zero”, com o objetivo de salvar uma espécie única.

“Há cinco anos, a produção de um embrião de rinoceronte branco do Norte parecia um objetivo impossível de alcançar, mas hoje conseguimos”, lembrou Jan Stejskal, do zoológico tcheco Dvur Kralove, onde Najin e Fatu nasceram antes de serem transferidas para o Quênia.

“Nos próximos meses, teremos que otimizar o processo de transferência e desenvolvimento de embriões em mães portadoras”, advertiu.

“Este é um passo muito importante para os esforços que estamos fazendo para salvar os rinocerontes brancos do Norte”, afirmou o gerente-geral de Ol Pejeta, Richard Vigne.

“Ainda temos um longo caminho para recorrer (…) O ser humano em geral precisa mudar drasticamente sua conduta, se quisermos aprender sobre os rinocerontes brancos do Norte”, concluiu Vigne.

As supostas virtudes medicinais atribuídas a seu chifre, na Ásia, alimentaram nos anos 1970 e 1980 uma implacável caça ilegal que dizimou este animal em Uganda, República Centro-Africana, Chade, República Democrática do Congo e no atual Sudão do Sul.

Em 2008, o rinoceronte branco do Norte já era considerado extinto em estado selvagem. (AFP)