Medida beneficiaria moradores da província de Bolzano-Alto Ádige

O Parlamento da Áustria retomou na quinta-feira passada (19) uma polêmica proposta para conceder cidadania para pessoas de língua alemã residentes na província autônoma de Bolzano-Alto Ádige, extremo-norte da Itália.

O conservador Partido Popular (ÖVP), do ex-chanceler Sebastian Kurz, e o Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita, conseguiram aprovar uma moção que pede para o governo iniciar negociações com Roma sobre o assunto.

“É um gesto profundamente europeísta da Áustria, no espírito de uma Europa sem fronteiras”, comemorou o partido italiano Liberdade dos Sul-Tiroleses, que defende a anexação do Alto Ádige (também chamado de Tirol do Sul) por Viena.

O projeto, que estava engavetado desde o ano passado, foi relançado a 10 dias das eleições legislativas de 29 de setembro na Áustria e deve provocar reações do governo italiano, que teme o recrudescimento de sentimentos separatistas no Alto Ádige.

A ideia é que moradores da província que se autodeclarem alemães ou ladinos no formulário de pertencimento linguístico possam obter a cidadania austríaca.

Bolzano é a única divisão administrativa da Itália onde os que têm o italiano como língua materna são minoria (aproximadamente um terço dos habitantes). A província faz parte da região de Trentino-Alto Ádige e pertencia ao Império Austro-Húngaro, mas foi anexada pelo Reino da Itália após a Primeira Guerra Mundial.

Nos anos do fascismo, Benito Mussolini tentou “italianizar” Bolzano à força, mas sem sucesso. Atualmente, a província goza de ampla autonomia em relação a Roma, porém abriga pequenos movimentos que defendem sua anexação pela Áustria. (ANSA)