A cidade de Trivento, na região de Molise, no centro-sul da Itália, viu suas ruas serem tomadas, nesta sexta-feira, por peças de tricô e crochê de artistas de diversos países, inclusive do Brasil.

Entre hoje e amanhã (10), Trivento será palco do Yarn Bombing Day, evento que propõe intervenções urbanas têxteis com crochê e tricô. A edição italiana é organizada pela fundação local “Uno Filo Che Unisce”. Trivento é conhecida popularmente como a “Cidade do Uncinetto” (“agulha de crochê”, na tradução). Isso porque, frequentemente, são feitas intervenções têxteis pelas ruas.

Cerca de 70 artistas de todo o mundo estão em Trivento para apresentar suas peças. Do Brasil, participam representantes do Coletivo Meiofio, TeceLãs, Nalã, 1000 fios a 1000, entre outros. Para o evento na Itália, o coletivo Meiofio reproduziu a padronagem da calçada de São Paulo em uma peça com 15m de largura por 1,2m de comprimento, fabricada por mais de 20 pessoas.

“A calçada de São Paulo é um padrão recorrente dos novos trabalhos desde o início. Além de ser uma peça de fácil confecção em crochê, que é o ‘quadradinho da vovó’, ela permite que várias pessoas participem. E também por representar nossa cidade e uma mulher que não teve o seu desenho reconhecido, a Mirthes Bernardes, que foi quem criou o padrão da calçada de São Paulo”, disse Nara Rossetto, do coletivo Meiofio, ressaltando que o grupo tem interesse em organizar um Yarn Bombing Day na capital paulista em 2020.

Já o coletivo TeceLãs optou pela criação de um painel de 2,5m de largura por 2,5m de comprimento representando a flora brasileira. Foram usados cerca de seis quilos de fios no painel.

“Logo quando recebemos o convite da organização do evento, pensamos em fazer uma obra que retratasse nosso país, porém sem utilizar estereótipos. Queríamos chamar a atenção para o que nosso país tem de mais belo, e uma das melhores maneiras era criando um painel da nossa flora. Inevitavelmente a peça acaba assumindo um valor mais forte considerando o atual momento em que vivemos”, disse, por sua vez, Lu Gastal, uma das integrantes do TeceLãs. 

“O que é mais bacana é que as peças serão leiloadas após a exposição pela cidade e a renda será revertida para um lar crianças carentes na Itália”, explicou.

Por sua vez, o grupo 1000 fios a 1000, fundado por Patrícia Baker Upton e Mocinha de Macedo Soares, produziu uma peça de 5 m usando rosas e folhas em crochê aplicadas na chita, um tecido de algodão com estampa em cores fortes e ícone da identidade brasileira.

“É uma experiência transformadora levar um trabalho brasileiro para um evento internacional”, disse Nara Rossetto.

“Uma ação como essa tem um potencial gigantesco de transformação, de mudança, de olhar e percepção de um espaço, mesmo que efêmero, como todas as artes urbanas. O evento cria laços entre as pessoas e os espaços, da rua como extensão da casa, e o uso das técnicas têxteis tradicionais cria vínculos de memória”.