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Aqui é o meu país

14 de maio de 2024 - Por Tatiana Toledo
Aqui é o meu país

A letra composta por Ivan Lins para a canção Meu País traduz, em parte, algo (por que não?) emocional do que a Stellantis espera do Brasil, hoje o centro global da nova tecnologia limpa da companhia. A música foi, afinal, tema de uma das mais famosas (e, sim, belas) propagandas da Fiat no começo dos anos de 1990. Essa afetuosa afinidade se traduz em números também. No âmbito do plano de investimentos de 30 bilhões de reais, o presidente da montadora anuncia que o primeiro veículo Bio-Hybrid estará no mercado no próximo semestre. E como finaliza a canção: “Me diz, me diz, como ser feliz em outro lugar?”. A Stellantis parece ter encontrado a resposta para seu porto seguro no mercado brasileiro a partir de sua estratégia de descarbonização e mobilidade. A gigante não descansará até cumprir sua ousada meta.

Em março, o grupo Stellantis anunciou em Betim (MG) o maior plano de investimentos da indústria automotiva na América do Sul, somando 30 bilhões de reais ao longo de cinco anos, de 2025 a 2030. Serão lançadas dezenas de novos produtos, desenvolvidas e produzidas tecnologias de descarbonização, como a Bio-Hybrid, a ser aplicada em toda a cadeia de suprimentos automotivos. Com o projeto, a empresa tenciona atingir os objetivos do Dare Foward 2030, plano estratégico de longo prazo para zerar as emissões de carbono.

Hoje, a Stellantis é líder em vendas no Brasil e na América do Sul, com 31,4% e 23,5% de participação no mercado, respectivamente. Na cerimônia de lançamento em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, no dia 6 de março, o CEO da Stellantis, Carlos Tavares, disse que o anúncio “solidifica a confiança e o comprometimento com o futuro da indústria automotiva sul-americana e é uma resposta ao ambiente de negócios favorável” que a companhia encontra aqui. Segundo ele, a América do Sul será protagonista na aceleração da descarbonização da mobilidade, ressaltando que a ambição do grupo é liderar a neutralidade de carbono no segmento.

O COO (chief operations officer) da Stellantis para a América do Sul, Emanuele Cappellano, sublinhou na ocasião que o anúncio traz “um novo ciclo virtuoso” para o Brasil e para a região. Serão implementadas quatro plataformas globais associadas às tecnologias Bio-Hybrid, mais de 40 modelos, além de oito novos powertrains — trem de força, o conjunto que envolve caixa de marchas, embreagem, diferencial, eixos de transmissão e rodas motrizes —e aplicações em eletrificação, que conciliam etanol, gasolina e eletricidade, explicou.

No escopo de seu plano estratégico Dare Forward 2030, a Stellantis investirá mais de 50 bilhões de euros em eletrificação ao longo da próxima década a fim de se tornar uma empresa com zero emissão de carbono até 2038.

Novos sistemas de propulsão com tecnologia Bio-Hybrid

A tecnologia Bio-Hybrid une eletrificação aos motores flex movidos a biocombustíveis (etanol) em três níveis. Assim, o Polo Automotivo Stellantis, em Betim, está se tornando o centro global da empresa no desenvolvimento da tecnologia Bio-Hybrid. Há mais de 40 anos, a marca Fiat foi pioneira no desenvolvimento e aplicação da tecnologia de motores a biocombustíveis. Em 1979, já utilizava 100% etanol. Agora, a Stellantis prevê que o polo de Betim também produzirá um veículo elétrico à bateria (BEV).

A Bio-Hybrid é sustentada por três powertrains híbridos que serão gradualmente produzidos e introduzidos no mercado, conforme especificações da montadora. As plataformas incluem a Bio-Hybrid e-DCT (Dual Clutch Transmission), com transmissões eletrificadas de dupla embreagem; Bio-Hybrid Plug-In; e BEV (100% elétrico), e começarão a ser disponibilizadas ao consumidor até o final de 2024.

Líder nos mercados brasileiro e sul-americano

A Stellantis é a líder nos três principais mercados na América do Sul: Brasil, Argentina e Chile. Em 2023, as vendas totais na região superaram 878 mil veículos, com 23,5% de participação no mercado. A companhia mantém a liderança na venda de veículos comerciais leves na América do Sul, com 28,6% de participação no mercado.

Na Argentina, a montadora adquiriu participação de 19,9% na Argentina Litio y Energía S.A., com o objetivo de garantir o fornecimento de matérias-primas essenciais para a produção de baterias sustentáveis. Ainda, com a aquisição das empresas Norauto e DPaschoal, tornou-se o maior distribuidor de peças automotivas na América do Sul.

Em seu portfólio detém marcas icônicas como Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, DS Automobiles, Fiat, Jeep®, Lancia, Maserati, Opel, Peugeot, Ram, Vauxhall, Free2move e Leasys.

Em entrevista exclusiva à Comunità Italiana, o presidente da Stellantis na América do Sul, Emanuele Cappellano, detalhou como serão executados os aportes planejados pelo grupo nos próximos anos e as metas de transição para a tecnologia de descarbonização Net Zero, iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas que ambiciona zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa, entre eles, o dióxido de carbono. Acompanhe:

Comunità Italiana — O recém-anunciado plano de investimentos da Stellantis prevê aportes de 30 bilhões de reais entre 2025 e 2030 na América do Sul. O que contempla, como está escalonado e quais iniciativas destacaria? Em que contexto a iniciativa foi decidida?

Emanuele Cappellano — Os investimentos da Stellantis serão utilizados para o lançamento de mais de 40 novos produtos, oito novos powertrains, aplicações para eletrificação e segurança veicular, além de quatro novas plataformas globais associadas à tecnologia Bio-Hybrid. Uma das protagonistas deste investimento é a tecnologia Bio-Hybrid, que combina eletrificação com motores flex movidos a biocombustíveis (etanol) em três diferentes níveis, além de uma opção 100% elétrica. Este anúncio solidifica a confiança e comprometimento da Stellantis com o futuro da indústria automotiva brasileira e sul-americana, e é uma resposta ao ambiente de negócios favorável que encontramos no país. Como parte fundamental da nossa estratégia de crescimento, o Brasil assumirá um papel de liderança na aceleração da descarbonização, da mobilidade. Os lançamentos serão realizados de acordo com o nosso plano estratégico regional, o Next Level, do qual em breve vocês conhecerão mais detalhes.

CI — Quais são as expectativas de resultados desse plano e de seu impacto no mercado?
EC —
Com os investimentos, esperamos consolidar e ampliar a liderança no país e região. E, com os lançamentos e a chegada da tecnologia Bio-Hybrid em nossos produtos, a Stellantis será a protagonista da mobilidade segura, sustentável e acessível no Brasil e na América do Sul. Vale destacar, ainda, que o primeiro produto equipado com a nova tecnologia Bio-Hybrid chegará ao mercado brasileiro no segundo semestre deste ano.

CI — No âmbito das metas mundiais de descarbonização e redução do uso de combustíveis fósseis, como se insere a visão do grupo? Os veículos elétricos e híbridos com novas tecnologias poderão se tornar acessíveis ao consumidor médio no Brasil num futuro próximo?
EC —
O futuro será da eletrificação, da direção assistida e autônoma, da conectividade, da descarbonização. A Stellantis estabeleceu o objetivo de descarbonizar totalmente suas operações até 2038, com redução das emissões pela metade já em 2030. De imediato, vamos evoluir no Brasil para uma matriz múltipla de propulsão, em que conviverão motores a combustão flex menores e mais eficientes, motores elétricos e sistemas híbridos. A tendência é a eletrificação, mas devido ao custo elevado das soluções, ela não evoluirá de modo igual em todo o mundo. China e Europa sairão na frente da eletrificação, seguidas pelos Estados Unidos, e depois pelos demais mercados, incluindo o Brasil. À medida que a tecnologia se difunde, aumenta sua escala e os preços se tornam mais competitivos, permitindo que mais consumidores tenham acesso à nova tecnologia. A Stellantis projeta que, em 2030, todos os carros de suas marcas vendidos na Europa serão elétricos, índice que será de 50% nos Estados Unidos e de 20% no Brasil. No que se refere à descarbonização do processo como um todo, 45% da redução está relacionada a ações e tecnologias no produto, enquanto 55% a ações na cadeia, seja na manufatura, supply chain, logística ou infraestrutura. Em relação ao etanol, certamente é um forte aliado na redução das emissões de CO2 aqui no Brasil. Sua combinação com a eletrificação é uma alternativa competitiva de transição para a difusão da eletrificação a preços acessíveis. É um processo que começa no desenvolvimento de motores mais eficientes, passa pelo aprimoramento do etanol e sua utilização em sistemas híbridos de propulsão, que combinam o biocombustível com a eletrificação. Hoje, a tecnologia flex fuel está presente em cerca de 80% a frota brasileira de veículos leves. A combinação do etanol com a eletrificação em propulsão híbrida é uma alternativa adequada de transição, pois permitirá o acesso de faixas maiores do mercado consumidor às tecnologias de baixa emissão. No ano passado, apresentamos as nossas soluções de redução de emissão de carbono com a tecnologia Bio-Hybrid, que combina propulsão flex e eletrificação em três plataformas híbridas a serem adotadas por nossas marcas e produtos na região, além de uma plataforma elétrica. Como dissemos, o primeiro produto equipado com a tecnologia Bio-Hybrid será lançado no mercado brasileiro até o final deste ano.

CI — Em termos de produção, vendas e posicionamento no mercado, quais são os números mais recentes da Stellantis no país?
EC —
A Stellantis é a líder nos três principais mercados na América do Sul: Brasil, Argentina e Chile. No ano passado, as vendas totais na região superaram 878 mil veículos, com 23,5% de participação no mercado. A companhia é líder em vendas no Brasil com 31,4% de participação, e mantém a liderança na venda de veículos comerciais leves na América do Sul, com 28,6% de participação no mercado. A Fiat é a marca mais vendida no Brasil e na América do Sul, e a picape Fiat Strada é o carro mais vendido no país e na região.

CI — O Brasil é estratégico no cenário global vislumbrado pela montadora, por que e de que forma?
EC —
O próprio anúncio do plano de investimentos, que foi o maior da história da indústria automotiva no Brasil e região, já demonstra a importância estratégica do país para a Stellantis. Temos confiança e comprometimento com o futuro da indústria automotiva sul-americana, onde identificamos um ambiente de negócios favorável e com previsibilidade. Assim, a região desempenha papel fundamental na estratégia de crescimento da companhia, ao lado da Europa e Estados Unidos.

CI — Com relação à gestão de pessoas e times da empresa no Brasil, pode revelar quantos funcionários há, número de plantas e localização?
EC —
A Stellantis tem cerca de 27 mil colaboradores diretos na América do Sul, com 6 plantas automotivas: no Brasil, temos unidades em Betim (MG), Goiana (PE), Porto Real (RJ) e uma planta de componentes em Jaboatão (PE). Já na Argentina, as fábricas de Córdoba e Palomar. Além disso, são quatro centros de P&D e mais de 2 mil engenheiros, técnicos e designers. A Stellantis também possui escritórios administrativos distribuídos por diversas cidades na América do Sul.

Aqui é o meu país

Raio X
Emanuele Cappellano

Emanuele Cappellano assumiu a Presidência da Stellantis na América do Sul no dia 1º de novembro de 2023. O dirigente de 47 anos está no grupo desde 2002 e chegou ao Brasil em 2014. Cappellano já havia ocupado o cargo de chief financial officer (CFO) da empresa na América do Sul entre 2017 e 2021 liderou o projeto de integração entre FCA (Fiat Chrysler Automobiles N.V.) e PSA (Peugeot S.A. “Groupe PSA”) na América Latina durante a fusão que deu origem à Stellantis.
Ao longo de sua carreira, ocupou posições de liderança em inúmeras áreas de gestão, comercial, industrial e operações, reunindo experiência nas áreas-chave da empresa. Participou de diversos conselhos em empresas do grupo, como presidente e conselheiro.
Entre 2021 e 2023, Cappellano ocupou o cargo de CEO e diretor corporativo de estratégia para a América do Norte do Grupo Marcolin, referência mundial na indústria de óculos.
Nascido em Rieti (região do Lácio), na Itália, formou-se em negócios e economia pela Universidade de Veneza e cursou mestrado em finanças corporativas e gestão na Universidade de Turim.

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A revista ComunitàItaliana é a mídia nascida em março de 1994 como ligação entre Itália e Brasil.

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