Diplomatas e empresários italianos receberam o ministro italiano das Relações Exteriores na capital paulista sob clima eleitoral

Um grupo de empresários ítalo-brasileiros, executivos e diplomatas participou de um jantar promovido pelo Grupo de Empresários Italianos (GEI), em São Paulo (21/2), para dar as boas-vindas ao ministro das Relações Exteriores da Itália, Angelino Alfano, que esteve em viagem oficial ao Brasil em fevereiro. O chanceler, que está no final de seu mandato com a queda do atual governo, também esteve em Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. Em São Paulo, se encontrou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com o embaixador do Brasil na Itália, Aloizio Nunes, com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, e com o prefeito de São Paulo, João Doria.

O jantar foi realizado no restaurante Terraço Itália, na região central da capital paulista, e contou a presença de cerca de 90 convidados. Na pauta do ministro, o destaque foi a discussão sobre as formas de reforçar e incrementar as relações bilaterais entre os dois países. Realizada às vésperas das eleições ao Parlamento na Itália, que ocorreram no último dia 5, essa visita não teve nenhum caráter deliberativo, uma vez que o ministro deve deixar o cargo quando os deputados e senadores, recém-eleitos, assumirem o Parlamento.

O objetivo dessa reaproximação foi também retomar as relações diplomáticas com o Brasil. As autoridades da Itália estavam distantes do país. O ministro Alfano, por exemplo, veio várias vezes a outros países vizinhos na América Latina e não veio ao Brasil.

Na abertura da cerimônia, o presidente do GEI, Valentino Rizzioli, afirmou que o sistema Itália tem que ser reforçado em todos os sentidos, principalmente em relação à burocracia consular.

— Acelerar o processo de conquista de cidadania e extinguir o pagamento da taxa de 300 euros, que é gratuita em outros países, são questões urgentes. Do ponto de vista comercial, os Consulados estão sofrendo uma restrição orçamentária e cortes drásticos de verbas.

O jantar em homenagem ao ministro movimentou também os candidatos, que aproveitaram o encontro para gravar seus vídeos e deixar suas mensagens. Como em campanhas políticas anteriores, o tema da redução das filas para a conquista da cidadania continua sendo uma bandeira forte. A média de oito anos para se tornar um cidadão italiano está entre as mais longas do mundo e esse tema acaba sendo um dos mais explorados pelos candidatos ítalo-brasileiros na disputa por uma vaga no Parlamento em Roma.

Para Rizzioli, o corte orçamentário e a ineficiência dos serviços consulares não se justificam. Segundo ele, desde 2013, quando a taxa de 300 euros passou a ser cobrada, o governo já arrecadou cerca de 16 milhões de euros.

— Embora parte dessa arrecadação estivesse programada para retornar ao consulado, o Brasil não recebeu nada.

Embaixador ressalta parcerias estratégicas entre cidades brasileiras e italianas

O embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini, abordou a necessidade de reforçar as relações comerciais, estimulando a comunidade empresarial ítalo-brasileira, que é muito relevante para a economia brasileira. Segundo dados apresentados pelo embaixador, as empresas italianas, ítalo-brasileiras ou brasileiras que atuam também na Itália, já representam 23% do PIB brasileiro.

Outro tema apresentado por Bernardini foi a possibilidade de estimular as relações entre São Paulo e as cidades italianas. Em 2017, o prefeito João Doria esteve em Milão com empresários locais e o prefeito da capital lombarda para fomentar algumas parcerias. Para o embaixador, iniciativas como essa são estratégicas e podem favorecer tanto o Brasil quanto a Itália.

Mais uma prioridade na agenda Brasil-Itália, na avaliação de Rizzioli, é o resgate da representação parlamentar do Brasil. Segundo ele, esse é um assunto urgente porque o país tem mais de 30 milhões de descendentes.

—  Não existe outro país com uma comunidade tão grande, e esse é um patrimônio do qual a Itália não está desfrutando.

Como exemplo, ele citou a área da educação, que deveria difundir a cultura italiana através das escolas mas não o faz. No Brasil, esse potencial cultural está subaproveitado porque apenas duas escolas são ítalo-brasileiras. Por que não reforçar essa parte tão rica da nossa cultura? O empresário ítalo-brasileiro se sente muito mais seguro para contratar e interagir com pessoas que tenham uma vivência cultural italiana, ressalta.