Pietro Petraglia Editor

Estamos no limiar de uma profunda transformação social e econômica com a chegada da tecnologia de telefonia celular 5G, que promete revolucionar cada passo que o homem der daqui em diante. A medicina precisará dela em consultas, cirurgias e exames. Diagnósticos mais difíceis e intrigantes terão uma grande aliada na nova geração de telefonia móvel que vem por aí. A agricultura também a terá ao seu lado; a educação poderá ganhar um reforço sem precedentes para o ensino a distância. Ou seja, uma nova ordem da comunicação começa a dar o ar da graça em vários países. Mas isso tudo pode não ser tão rápido assim no Brasil. Embora as operadoras comecem a se planejar, como a Tim, que montou três centros para teste impressionantes com a 5G, o mercado esbarra em impasses legislativos para instalação de antenas. O leilão de frequências deverá ser realizado no próximo ano, e a Anatel, ouvida pela nossa reportagem, confirma que ele acontecerá, mas que as esferas políticas municipais precisam ser menos intransigentes sobre a questão das antenas. Como resposta, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) publicará, em breve, um decreto que regulamentará aspectos técnicos de interesse dos municípios para resolver a questão. Comunità acompanhará de perto esses desdobramentos, e começamos com esta edição, que também traz um dado singular das exportações italianas para o Brasil. Elas deverão crescer 4,3% nos próximos três anos, como sinaliza um estudo da Sace Simest. Nosso repórter Stefano Buda foi atrás do relatório do renomado instituto italiano e descobriu que o principal conselho da Sace Simest é para que empresas italianas fiquem atentas aos países que estão lançando programas de atualização industrial, melhoria de infraestrutura e desenvolvimento urbano para apoiar o crescimento. Além do Brasil, o relatório destaca nesse rol a Índia e os Emirados Árabes. Os três seriam os mais abertos aos investimentos estrangeiros. Uma nova fronteira de negócios se constrói para o mercado brasileiro.

Mas o mundo dos negócios precisa do humanismo, do respeito às diferenças e da busca pelo desenvolvimento igualitário e justo para cidadãos. Precisa ter alma e alteridade. Exemplos singulares podem ser encontrados aos montes no dia a dia de todos. Até mesmo em um estádio de futebol, como protagonizado pela ítalo-brasileira Silvia Grecco, mãe do jovem Nickollas, deficiente visual, entrevistada pelo repórter Matheus Sousa. A cada lance do clássico paulista Palmeiras e Corinthians, ela narrava junto ao ouvido do filho o que estava acontecendo no gramado. Se um quase gol do Verdão acontecia, ela contava detalhe por detalhe da jogada. O filho exultava. Vibrava. Emocionante é palavra (reconheça-se) simplória para descrever o que esta mãe faz pelo filho. A paixão pelo futebol — tão rebaixada por alguns intelectuais elitizados e, frise-se sem eufemismos e pudores, chatos — pode, sim, transformar vidas. Nelson Rodrigues — este inegavelmente um intelectual de A a Z que jamais soçobrou — dizia o seguinte: “Ora, o intelectual brasileiro que ignora o futebol é um alienado de babar na gravata”. Não sei dizer se o genial dramaturgo, jornalista e cronista chorou um dia assistindo ao futebol que tanto amara. Mas, certamente, a comovente história da mãe e do filho emocionaria Nelson, como fez com o mundo inteiro a ponto de Sílvia e o jovem Nickollas serem agraciados, em uma cerimônia no Teatro Alla Scala, em Milão, com o troféu de “Torcedor do Ano”, o Fifa The Best. Enquanto ainda nos emocionarmos com o ser humano, haverá salvação.

Boa leitura!