Os cem migrantes bloqueados por uma semana em um navio da Guarda Costeira, o “Gregoretti”, na costa da Sicília (sul) puderam desembarcar na Itália na quarta-feira (31) após um acordo entre cinco países europeus e a Igreja italiana

Desde a chegada ao poder da coalizão Liga-M5S em junho de 2018, Salvini demonstrou sua mão dura ante a migração e pôs em xeque o resto de seus sócios europeus para forçar a distribuição dos migrantes que chegam a Itália.

O caso do ‘Gregoretti’ é a última disputa. Os guarda-costeiros italianos socorreram na quinta-feira passada (25) cerca de 140 migrantes, que partiram da Líbia a bordo de duas embarcações, no mesmo dia em que outros 110 desapareceram em um naufrágio.

Então, o ministro italiano do Interior afirmou que não autorizaria o desembarque dos migrantes sem um plano para distribuí-los entre vários países europeus, uma manobra destinada a pôr à prova a resolução da França.

O presidente francês, o liberal Emmanuel Macron, anunciou na semana passada um acordo entre 14 países europeus para implementar um “mecanismo de solidariedade”, que parte do princípio de que primeiro devem desembarcar na Itália.

Enquanto isso, a Itália permitiu determinados desembarques a conta-gotas: seis evacuações por motivos médicos desde 25 de julho, uma mulher grávida e sua família em 27 de julho, 15 menores na segunda-feira, etc.

Alemanha, Portugal, França, Luxemburgo e Irlanda, assim como estruturas da Igreja italiana, acordaram finalmente repartir o resto de migrantes presentes na embarcação, anunciaram um porta-voz da Comissão Europeia e o ministro italiano.

“Encontrou-se uma solução europeia para as mulheres e os homens bloqueados no barco ‘Gregoretti'”, celebrou Macron, cujo país se comprometeu a acolher 30 “refugiados”, segundo o Ministério do Interior.

Do ‘Gregoretti’ ao ‘Alan Kurdi’

Embora se desconheça o resto da distribuição, segundo uma fonte em Bruxelas, a Igreja católica na Itália se encarregará de mais da metade dos migrantes socorridos, como já aconteceu em 2018 com o caso do ‘Diciotti’.

A maioria dos migrantes afetados por esta decisão desapareceram dias depois, após partirem por conta própria a outros países europeus.

Quando a crise do ‘Gregoretti’ parece chegar a seu fim, uma nova aparece após o anúncio da ONG alemã Sea-Eye do resgate de 40 migrantes nesta quarta-feira em frente à costa da Líbia por sua embarcação ‘Alan Kurdi’.

A firmeza de Salvini com os migrantes socorridos por ONGs ou inclusive pelas autoridades italianas não freia as chegadas a Itália. Segundo seu ministério, mais de 3.700 pessoas chegaram a sua costa em 2019.

Como antes do início dos primeiros resgates, no fim de 2013, a maioria dos migrantes chega diretamente à costa, com frequência após vários dias em alto-mar a bordo de veleiros procedentes da Turquia ou de barcos, da Líbia ou da Tunísia.

(com informações da ANSA)