Entre os dias 26 e 29 de setembro a cidade gaúcha de Bento Gonçalves, conhecida como a Capital Brasileira do
Vinho, reuniu 250 marcas expositoras nacionais e internacionais do setor vitivinícola para a primeira edição de Wine South America, a Feira Internacional do Vinho, atraindo seis mil pessoas provenientes de 25 estados brasileiros e 16 países. Os participantes puderam apreciar a qualidade de vinhos, espumantes e sucos das principais vinícolas. A Itália foi um dos países protagonistas, seja entre os expositores, seja na parte da promoção
do evento, pois a feira é realizada pela Milanez&Milaneze, subsidiária do Grupo Veronafiere. A Wine South America contou com o know how da Vinitaly, que há mais de 50 anos é a feira referência mundial do setor de vinhos, realizada em Verona.

— Verona é referência do setor vitivinícola da Itália, assim como Bento é o do Brasil — ressaltou o vice-presidente
do grupo italiano VeronaFiere, Romano Artoni.

De acordo com Alberto Piz, diretor da Milanez&Milaneze, a Wine South America consolida-se como a principal feira de vinhos das Américas e começa a construir um legado para o setor vinícola brasileiro, valorizando a qualidade dos vinhos e espumantes produzidos no Brasil.

— As vinícolas trabalharam em conjunto conosco para oferecer um encontro com alto padrão de excelência e o resultado apareceu. Acredito que a primeira edição da feira terá efeito multiplicador e, por isso, já estamos confirmando a realização da Wine South America 2019 na última semana do mês de setembro do próximo ano — revelou à Comunità o diretor da Milanez&Milaneze.

Piz ainda destacou a contribuição da feira na divulgação do potencial enoturístico da região da Serra gaúcha. Os organizadores escolheram Bento Gonçalves por ser o principal polo de produção nacional do vinho. Foi uma escolha estratégica para oferecer ao público a experiência de conhecer os bastidores da produção por meio de
visitas às vinícolas. O evento ainda ofereceu cursos, degustações e palestras técnicas conduzidas por especialistas e profissionais nacionais e internacionais, entre os quais o Master of Wine britânico Alistair Cooper.

Para o presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Oscar Ló, a estreia do evento ocorreu no momento em que o setor está celebrando os ótimos resultados qualitativos da safra de uvas 2018, considerada uma das melhores da década.

— Será uma safra de referência, especialmente para os vinhos tintos de guarda. A nossa expectativa é que reflita
positivamente no setor, ajudando a impulsionar as vendas — afirmou o presidente da entidade.

De acordo com ele, a Wine South America contribuiu para o fortalecimento e melhoria da vitivinicultura brasileira e para aumentar a presença dos vinhos, espumantes e sucos de uvas nacionais nos mercados interno
e externo.

No dia da inauguração da feira, em 26 de setembro, foram realizadas palestras, degustações e o plantio dos sarmentos da videira mais antiga do mundo. Originário da Eslovênia e datado de 500 anos atrás, o ramo foi plantado em um lugar de honra na Dal Pizzol Vinhos Finos, em Farias Lemos, às portas do Vinhedo do Mundo,
um reduto com mais de 400 variedades de uvas de 30 países. A cerimônia contou com a presença do diretor da cantina, Rinaldo Dal Pizzol, do embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini, e da adida comercial da Embaixada da Eslovênia, Suzana Pendic. Dal Pizzol relatou que o ramo chegou ao Brasil graças à sua amizade
com o enólogo italiano e mentor intelectual do Vinhedo do Mundo, Luigi Soini, que tem uma plantação similar na
cidade de Cormóns, no norte da Itália. Outro exemplar de muda foi plantado no Fundaparque, onde ocorreu a Wine South America. Para Dal Pizzol, o vinho não é só um produto agroalimentar, e sim um produto cultural carregado de emoções e que faz parte da história do homem desde milênios.

Para o embaixador italiano, a parceria entre Itália e Brasil no setor pode se intensificar.

— Estamos prontos a compartilhar métodos e tecnologias modernas a fim de desenvolver a indústria brasileira do vinho, com o espírito de fortalecer as relações culturais e comerciais entre os dois países. De fato, no Brasil, o consumo médio per capita de vinho ainda é baixo. Tendo em conta as dimensões deste mercado, mesmo um ligeiro aumento no consumo representaria um aumento significativo no volume da demanda, oferecendo oportunidades interessantes tanto para os produtores locais quanto para os países fornecedores, entre os quais a Itália — disse Bernardini à Comunità.

O vinho é a “chave para abrir as portas do mundo”, diz ministro Centinaio

No dia 28 de setembro, o ministro italiano da Agricultura e Turismo, Gian Marco Centinaio, visitou a feira e depois prosseguiu a viagem para a Argentina, em ocasião da Feira Internacional do Turismo (FIT) da América Latina. A sua visita à Wine South America reforçou o apoio do governo italiano na realização da feira internacional, onde o ministro pôde conhecer produtores brasileiros oriundos da Itália e lideranças do setor. Esta foi a primeira vez que Centinaio visitou o Brasil. Ele ficou encantado e prometeu voltar, pois a breve estadia não permitiu que visitasse outros lugares.

Ao passear pelos diversos estandes, o ministro degustou e apreciou a diversidade do vinho brasileiro.

— O vinho brasileiro é muito bom. Tem características únicas que já estão sendo reconhecidas no mundo — comentou o italiano, acrescentando que os rótulos do país têm grande potencial competitivo.

Para Piz, receber um ministro logo na primeira edição da feira é importante porque reforça a atenção que a Itália
tem dado às empresas do país que investem no exterior. Centinaio destacou que as companhias italianas têm todos os requisitos necessários para explorar novos mercados, aproveitar os desafios da inovação e exportar o sistema italiano.

— O vinho é a chave que abre as portas do mundo, uma cultura real; é a história do nosso know-how, que iniciativas como essas destacam as melhores — declarou o ministro, que pertence ao partido Liga Norte.

Além do embaixador italiano, acompanhou a visita do ministro secretário de Turismo e Comércio Exterior da Região Vêneto, Federico Caner, e os representantes do Grupo Veronafiere. Em seu discurso durante a inauguração, Caner lembrou que muitos italianos partiram do Vêneto para povoar a Serra Gaúcha há mais de 140 anos e destacou que os imigrantes construíram uma cultura do vinho com suor e trabalho.

— Consideramos esta região a oitava província do Vêneto — frisou o secretário do Vêneto, definindo os imigrantes italianos como “heróis do vinho”.

Durante o evento, mais uma iniciativa aproximou Brasil e Itália. Os dois países agora estão unidos também pela Associação Città del Vino. O acordo foi oficializado na abertura da feira, com a presença do presidente da entidade italiana, Floriano Zambon, e do prefeito da cidade gaúcha, Guilherme Pasin. Bento Gonçalves passou a integrar o seleto grupo que reúne cidades produtoras de vinho cujo objetivo é debater políticas públicas e projetos em benefício da cultura e da economia do vinho. A cidades associadas seguem um padrão de qualidade estabelecido no estatuto Carta da Qualidade das Cidades do Vinho, cujos princípios são proteger o vinho e sua paisagem e inserir o vinho em seus ambientes, entre outros.

— Nasceu uma colaboração entre aqueles que sabem que o vinho é feito de cultura — conclui Zambon.

Rótulos brasileiros ganham destaque

O Brasil vem ganhando destaque no setor vinícola com espumante como referência.  A Serra Gaúcha responde por 85% de produção nacional de vinhos. De acordo com os dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho, o Brasil ocupa o 14º lugar no ranking mundial da produção, com 340 milhões de litros produzidos em 2017. Longe do primeiro lugar, que pertence à Itália, com 4,25 bilhões de litros produzidos em 2017, ainda é um mercado a ser explorado. Portugal é o país campeão no consumo per capita de vinho, com média de 58 garrafas por ano por habitante. Em seguida, aparecem os franceses, com 54 garrafas, seguidos pelos italianos, com 50. O Brasil aparece em 17º lugar, com uma média de duas garrafas consumidas ao ano por habitante.