O Conselho Europeu iniciou nesta quinta-feira (28) uma reunião de dois dias que deve sacramentar as divisões dentro do bloco sobre políticas migratórias e pode ter repercussões internas em alguns países, como a Alemanha

O órgão é a principal instância política da União Europeia e reúne os líderes dos 28 Estados-membros, que tentam chegar a um improvável consenso sobre a forma de lidar com os fluxos de refugiados e deslocados externos que chegam ao bloco pelo Mediterrâneo.

“Será uma cúpula difícil”, reconheceu o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. O órgão discutirá uma proposta da Itália para frear a emergência migratória. O texto apresentado por Roma é dividido em 10 pontos, a começar pela intensificação das relações com os países de origem e trânsito de deslocados externos.

Além disso, a Itália propõe a criação de centros de proteção internacional nas nações de trânsito para avaliar pedidos de refúgio antes mesmo de os deslocados chegarem à UE, o reforço das fronteiras externas do bloco e a superação do critério da “primeira chegada”.

Esse instrumento estabelece que um solicitante de refúgio deve ficar sob responsabilidade do Estado-membro por onde entrou na UE, o que penaliza as nações mediterrâneas. A Itália ainda quer que navios que resgatam pessoas no mar também se dirijam para outros países e abrir centros de acolhimento em outros Estados-membros.

“Se desta vez não encontrarmos disponibilidade de outros países europeus, podemos fechar este Conselho Europeu sem aprovar conclusões compartilhadas”, ameaçou o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte. Já a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se mostrou resignada quanto à falta de um consenso.

“Enquanto não houver acordo entre os 28, seguiremos em frente com uma coalizão de quem estiver disponível”, disse, antes mesmo de partir a Bruxelas.

Merkel é uma das mais interessadas na reunião, já que seu ministro do Interior, Horst Seehofer, ameaça derrubar o governo se a chanceler não fechar um pacto na UE para frear o trânsito dentro do bloco de solicitantes de refúgio que já tenham sido registrados em outros países.

Atualmente, o Estado-membro que mais acolhe refugiados e solicitantes de refúgio em relação a sua população é a Suécia, com 292.608 (2,92% de seu total de habitantes). Em seguida aparecem Malta, com 9.378 (2,03%); Áustria, com 171.567 (1,95%); Chipre, com 15.063 (1,69%); e Alemanha, com 1.399.669 (1,69%).

A Itália é o 11º, com 353.983 (0,58%), atrás de Grécia, com 83.220 (0,77%); Dinamarca, com 39.937 (0,69%); Holanda, com 109.678 (0,64%), Luxemburgo, com 3.541 (0,59%); e França, com 400.304 (0,59%).

Já os que menos acolhem são Portugal, com 1.668 (0,01%); Eslováquia, com 949 (0,01%); Croácia, com 919 (0,02%); Romênia, com 5.464 (0,02%); e Estônia, com 455 (0,03%). Os dados são do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e do Banco Mundial.

(Agência ANSA)