Anistia Internacional (AI) denunciou nessa última terça-feira (17) a “retórica de ódio” que marcou a recente campanha eleitoral na Itália, durante a qual registrou “uma mensagem de ódio por hora”, fenômeno que a organização de direitos humanos também assinalou em outros países

“Durante as últimas três semana de campanha eleitoral na Itália, registramos 787 mensagens de ódio nas contas dos candidatos, mais de uma por hora, as quais repercutiram nas redes sociais”, revelou o relatório da AI.

Cerca de 600 ativistas da organização analisaram as contas de Facebook e Twitter de 1.419 candidatos às eleições legislativas e regionais de 4 de março durante o período de 8 de fevereiro a 2 de março a fim de estabelecer o “termômetro do ódio”.

O uso de estereótipos e mensagens insultantes, racistas e discriminatórias, e inclusive que incitavam a violência fez parte da linguagem comum na campanha eleitoral.

Segundo os ativistas, 43% das mensagens de ódio foram escritas por líderes dos diferentes partidos, entre eles 129 candidatos, 77 dos quais foram eleitos.

A Liga Norte, do xenófobo Matteo Salvini, comandou o fenômeno com 51% das mensagens enviadas

A extrema direita neofascista do Irmãos da Itália registrou 27%, e Força Itália, partido do magnata e ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, 13%. A pequena formação neofascista Casa Pound, 4%.

A formação antissistema Movimento 5 Estrelas, primeira força política do país, se limitou a 2%.

A imigração ilegal, tema central da campanha, inspirou 91% das mensagens, nas quais os imigrantes foram chamados de “ilegais” e “estrangeiros”, mas também de “animais” e até “vermes”.

Cerca de 11% das mensagens manifestavam sentimentos islamofóbicos, 6% iam contra os homossexuais e 5% contra os ciganos.

De acordo com a organização, um terço das mensagens analisadas transmitia informações falsas ou dados modificados.

“Suspeitávamos e agora confirmamos: a retórica do ódio também é usada na Itália”, comentou em comunicado Gianni Rufini, diretor da Anistia Internacional Itália.

“É impressionante ver que tanta gente que aspira a ter um papel institucional tenha usado palavras tão discriminatórias e de ódio durante a campanha”, afirmou.

A Anistia alertou recentemente que o auge deste tipo de discurso, sobretudo nas democracias ocidentais, agrava “o risco de normalizar o ódio” e estigmatizar grupos. (G1)