Nenhuma crise, seja ela política, seja econômica, social ou até mesmo uma guerra entre países, consegue barrar uma Copa do Mundo, pelo menos nos últimos 70 anos. A energia empregada na máquina que move o alto custo dessa competição esportiva é tão forte que, após a Segunda Guerra Mundial, nenhum protesto, boicote e até atentados como o de Munique, em 1972, que causou enorme comoção, foram capazes de interromper esse jogo. E, enquanto se espera a sede de 2026, numa disputa que inclui EUA, Canadá, México e Marrocos, já sabemos que na agenda de 2022 os jogadores de salários extraordinários se encontrarão no Catar. Sim, um país sem nenhuma expressão com a pelota, com temperaturas altíssimas, mas com muito dinheiro. Os cartolas é quem dão as cartas e, para eles, apesar da polêmica, não há obstáculos para a escolha. Para termos uma ideia, a Copa no Brasil consumiu mais de R$ 33 bilhões e a receita da Fifa chegou a casa de R$ 18 bilhões.

A verdade é que é incomparável o prestígio do futebol. Não há mobilização maior do que a festa gerada entorno deste esporte praticado por mais de três bilhões de pessoas. E, mesmo com a salgada fatura, é contagiante a empolgação do grito de gol.

E a Itália não estará nessa festa. Não se classificou, assim como a Holanda, o Chile e os EUA. Uma nação que respira futebol, tem uma literatura futebolística, investe muito alto no esporte, tem marcas importantes nessa engrenagem mundial, mas que não viverá o clima russo. Na Rússia, que gera admiração e medo, o charme italiano não estará presente em campo. O que isso gera de prejuízo econômico será verificado com a perda na venda dessa indústria do calcio. Mas o maior prejuízo está na perda momentânea da “grinta” impressa no gene itálico de cidadãos italianos dentro e fora do país. Como explicar para as crianças que não temos a Azzurra na Copa? O espetáculo perde muito dessa emoção característica da bota e perdemos todos nós.

Sem a participação na Rússia, esse é o momento da Itália mostrar uma de suas maiores virtudes: a superação. E essa terá que vir dentro e, principalmente, fora dos gramados.

Boa leitura!