A Itália e Malta barraram no último domingo (10) o desembarque de um navio de uma ONG com mais de 600 imigrantes resgatados no Mar Mediterrâneo. Diante da recusa dos dois países, a Espanha afirmou que pode abrir seus portos

O Aquarius, fretado pela ONG SOS Méditerranée, resgatou no sábado (9) 629 migrantes, incluindo sete mulheres grávidas, 11 crianças pequenas e 123 menores de idade sem responsáveis. Desde então, a embarcação está em ‘stand-by’ no mar, perto de Itália e Malta.

O novo ministro de Interior da Itália, Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga (antiga Liga Norte), afirmou no domingo que “a Itália começa a dizer ‘não’ ao tráfico de seres humanos” e à imigração ilegal.

Ele enviou uma carta urgente às autoridades maltesas na qual explica que o navio está a 43 milhas de Malta, por isso, este país tinha a obrigação de receber o desembarque.

As cidades de Nápoles, Livorno, Palermo e Crotone chegaram a oferecer seus portos para acolher os imigrantes, no entanto, compete aos ministérios do Interior e de Infraestruturas e Transportes tomar a decisão final.

Após horas de impasse, o chefe do governo espanhol Pedro Sánchez disse que a Espanha irá receber os imigrantes que estão à deriva, colocando o porto de Valência à disposição. Em comunicado divulgado nesta segunda, Sánchez afirma que deu instruções para que o país cumpra seus compromissos internacionais no que diz respeito às crises humanitárias.

O governo alemão expressou preocupação com a situação e pediu que todos os envolvidos devem cumprir com sua responsabilidade humanitária. “Estamos preocupados com a situação das pessoas a bordo do Aquarius”. O governo chama todos os envolvidos a cumprir com sua responsabilidade humanitária”, disse em entrevista coletiva o porta-voz do Executivo, Steffen Seibert.

Comida e água acabando

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) chegou a fazer um apelo para que Itália e Malta que permitissem o desembarque imediato dos imigrantes, ressaltando que as “pessoas na embarcação estão ficando sem mantimentos”.

“As pessoas estão angustiadas, faltam mantimentos e precisam de ajuda rapidamente”. Os questionamentos “sobre quem tem a responsabilidade e como deveriam compartilhar estas responsabilidades entre os Estados deveriam ser tratados mais adiante”, afirma comunicado do Acnur.

David Beversluis, um dos médicos da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) a bordo do Aquarius, afirmou em entrevista com a Agência Efe que a partir terça-feira não haverá “comida suficiente” os imigrantes.

(G1)