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A Itália quer retirar suas tropas do Afeganistão "o mais rápido
possível", mas não tomará tal decisão unilateralmente, disse o
primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi,
depois que seis soldados italianos morreram em um ataque com
carro-bomba na capital afegã, Cabul, ontem.
"Estamos todos ansiosos e esperançosos para trazer nossos homens de
volta o mais rápido possível", disse Berlusconi a jornalistas em
Bruxelas, na Bélgica.
"Estamos todos convencidos que é melhor para todo mundo deixar o Afeganistão logo", acrescentou.
Berlusconi disse que a Itália já estava planejando uma "forte
redução" em sua tropa de aproximadamente 3.100 militares no Afeganistão
e que caminharia para isso.
O ataque foi o mais grave lançado contra o contingente da Itália no
Afeganistão desde o início da guerra, segundo o Ministério da Defesa.
No total, 21 militares italianos morreram no conflito, iniciado em
2001. A Itália mantém cerca de 2.800 militares no Afeganistão, no
total. O ataque ocorre em um momento sensível do combate, já que agosto
foi o mês com maior número de mortes entre soldados americanos--foram
51-- desde a invasão do país.
Conforme testemunhas, às 12h10 (4h40 no horário de Brasília), um
suicida atirou o carro que dirigia, carregado de explosivos, contra um
comboio militar italiano. Seis dos dez soldados que estavam nos
blindados atingidos morreram. Os outros quatro ficaram feridos, e não
há dados sobre o estado de saúde deles. Dez civis afegãos também
morreram. O movimento islâmico Taleban assumiu a autoria da ação.
O embaixador dos Estados Unidos na Itália expressou condolências em
nome do presidente Barack Obama e afirmou que, "juntos", os dois países
estão "dedicados a ajudar a população afegã em sua luta pela liberdade
e, acima de tudo, pela sua segurança do terrorismo bárbaro que nós
testemunhamos novamente hoje".
Políticos de oposição e ONGs questionaram a presença das tropas
italianas no Afeganistão após o ataque e pediram uma nova estratégia
para o conflito. "Há poucos meses da morte do jovem soldado italiano
Alessandro Di Lisio, o cenário não muda, há mais jovens mortos. Os
números deixam claro. São 21 as vítimas italianas que, de 2004 até
hoje, sacrificaram suas vidas em território afegão. É um fato
dramático", disse Stefano Stefani, da Liga Norte, presidente da
Comissão das Relações Externas da Câmara dos Deputados da Itália.
Fonte: Folha Online
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