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Confiança nas pequenas e médias |
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Por Lisomar Silva - São Paulo
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O presidente da região Marche, Gian Mario Spacca, esteve no Brasil para acompanhar a missão econômica em maio. Em entrevista exclusiva, ele diz que é preciso apostar nas parcerias com outros países para sair da crise
As empresas italianas pequenas e médias querem parceiros brasileiros para realizar projetos industriais com transferência de know-how e formação de profissionais qualificados, segundo os padrões internacionais de alto nível. Mas, para isso, devem conhecer as peculiaridades e a complexidade do mercado brasileiro. Quem faz estas e outras avaliações de mercado é Gian Mario Spacca, presidente da região italiana de Marche, que coordenou as conferências, os encontros e as rodadas de negócios durante os cinco dias de atividades da missão empresarial Brasil –Itália em maio. Spacca, que já desenvolveu parcerias no Pará e no Amazonas, acredita que o futuro da economia está na pequena e média empresa como verdadeiras plataformas de apoio no plano internacional, especialmente em períodos de crise. Em entrevista à ComunitàItaliana, afirma que “está cada vez mais claro, na Europa, que temos de sair do contexto da economia baseada na alta finança e retornar à economia real de empresa”. Se quiserem sair da crise, os italianos devem recorrer às parcerias através de colaborações nas maiores áreas geográficas do mundo, ressalta. E explica que a Itália não pensa em exportar produtos acabados para o Brasil, e sim, em desenvolver parcerias com projetos e programas de colaboração econômica recíproca de perfil estrutural e em transmitir conhecimento, de modo que a produção local possa alcançar patamares qualitativos com alto grau de especialização.
ComunitàItaliana - Que experiências foram feitas para se chegar a essa reflexão?
Gian Mario Spacca - Uma dessas experiências é a colaboração desenvolvida entre a região Marche e os estados do Amazonas e do Pará com a criação de um distrito industrial no setor de produção de móveis e decoração. Em sete anos, criou-se uma rede que envolveu 600 empresas brasileiras e outras 50 italianas de nossa região, com o apoio do Sebrae. O projeto hoje representa uma metodologia de trabalho porque inclui universidades e centros de pesquisa sobre uso limitado de matérias-primas e mais extenso de madeiras de descarte, para reduzir ao máximo o impacto ambiental, criando empregos e formando profissionais qualificados. Outra experiência importante é desenvolvida na região do ABC paulista no setor metalmecânico, mecânico e metalúrgico, mas que deu resultados menos animadores por ser uma área com um perfil completamente diverso de desenvolvimento urbano, social e industrial, na qual a colaboração com grandes conglomerados tem espaço privilegiado e já consolidado, sem deixar margem de ação para as pequenas e médias empresas.
CI - Outras experiências foram desenvolvidas dando prioridade a setores diferentes?
GMS - Sim. Foram muito bem sucedidas, principalmente nos setores da eletrônica automotiva e da náutica, que podem servir de modelo para novas parcerias no futuro. A primeira foi realizada com a empresa mineira ASK de Belo Horizonte, hoje com mil empregados. A segunda se desenvolve com a CRN de São Paulo, que tem 600 empregados, para a realização de iates, em colaboração com os canteiros navais da cidade portuária de Ancona, a capital de nossa região. Há dois iates em fase de construção na cidade, sob encomenda de clientes brasileiros, que geraram empregos para 130 profissionais contratados por dois anos. Esse é um exemplo eficaz de troca de know-how com formação de profissionais, que garante trabalho e empregos para os parceiros dos dois países. Na zona industrial do ABC existe também a empresa italiana Mondolfo Ferro, especializada na produção de linhas de montagem destinadas a testes de resistência para automóveis, que hoje conta com 80 profissionais contratados.
CI - A crise econômica europeia provocou situações trágicas até, com episódios de empresários pequenos e médios que acabaram se suicidando...
GMS - Temos que lembrar que falamos de proprietários de empresas familiares, que sofreram o peso da pressão fiscal italiana. Muitos deles ficaram desorientados, não dispunham sequer de liquidez para enfrentar o pagamento de impostos, salários, contribuições sociais e outras despesas de gestão, mesmo tendo dinheiro para receber até mesmo de instituições italianas. Outros acabaram por ter pouca esperança quanto ao futuro da economia e de sua própria empresa. Infelizmente, isso aconteceu também com outras categorias em consequência de uma situação em que houve a perda de confiança geral. O governo do primeiro-ministro Mario Monti também está impondo sacrifícios econômicos às empresas e aos cidadãos italianos, para recuperar um mínimo de equilíbrio na evolução do PIB italiano. Por isso, temos que ajudá-los a resgatarem a confiança no mercado e a divulgarem, no futuro, a força e a energia das pequenas e médias empresas no mundo.
CI - Mais de 200 empresas vieram para esta missão comercial. E as outras?
GMS - As outras 500 empresas que não puderam participar desta missão estão observando a evolução do mercado, bem como o andamento das parcerias criadas e dos acordos assinados. Receberão informações de modo que também possam se preparar para as missões comerciais futuras. Queremos que todas as empresas se saiam bem, especialmente em períodos críticos como o que estamos vivendo agora.
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Junho 2013 |
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