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A Itália acordou na sexta-feira mergulhada em uma crise política,
depois do dramático rompimento do primeiro-ministro Silvio Berlusconi
com o seu mais importante aliado de centro-direita, o que pode levar à
realização de eleições antecipadas.
Numa tensa sequência de acontecimentos que atingiu seu auge na
quinta-feira à noite, Berlusconi acusou Gianfranco Fini, o poderoso
presidente da Câmara dos Deputados, de ser um traidor e conspirador, e
de tentar provocar uma "morte lenta" do Povo da Liberdade (PDL), o
partido de ambos.
Os dois políticos já vinham demonstrando uma aberta animosidade nos
últimos meses, culminando com um duro documento da direção partidária
censurando Fini por suas ações e declarações, e acusando-o de não mais
representar os ideais do partido que ajudou a criar.
Berlusconi disse que o rompimento não afetará a estabilidade do seu
governo, embora acredite-se que Fini controle os votos de mais de 50
parlamentares.
"Não há risco", disse o primeiro-ministro em entrevista coletiva na noite de quinta-feira. "Temos maioria."
Mas, dependendo do número de parlamentares que seguirem Fini na
formação de uma nova bancada, Berlusconi pode perder maioria em uma das
Casas do Parlamento, ou vê-la reduzida a uma margem perigosa.
A coalizão formada pelo PDL e o partido Liga Norte tinha, antes do
racha, 344 deputados, incluindo 14 deputados de pequenos partidos, que
decidem seus votos caso a caso. Para ter maioria, um governo precisa de
316 deputados.
Sem o apoio de Fini, Berlusconi pode se ver refém dos pequenos
partidos e da Liga Norte, o que já causou a queda do seu primeiro
governo, em 1994.
Mas a situação causada pela implosão do partido governista é inédita,
e não há diretrizes constitucionais sobre o que deve acontecer agora.
Vários analistas disseram na sexta-feira que Berlusconi estaria
conformado com a convocação de eleições, por acreditar que o seu partido
se sairá melhor sem Fini.
Berlusconi afirmou que caberá aos parlamentares decidirem se Fini deve ou não permanecer como presidente da Câmara.
Fini disse que não pretende renunciar à presidência da Câmara, que lhe dá enorme poder para definir a pauta parlamentar.
Fonte: Reuters
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