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Partido de Berlusconi implode, e Itália vive crise política Imprimir E-mail
30 de julho de 2010
A Itália acordou na sexta-feira mergulhada em uma crise política, depois do dramático rompimento do primeiro-ministro Silvio Berlusconi com o seu mais importante aliado de centro-direita, o que pode levar à realização de eleições antecipadas.

Numa tensa sequência de acontecimentos que atingiu seu auge na quinta-feira à noite, Berlusconi acusou Gianfranco Fini, o poderoso presidente da Câmara dos Deputados, de ser um traidor e conspirador, e de tentar provocar uma "morte lenta" do Povo da Liberdade (PDL), o partido de ambos.

Os dois políticos já vinham demonstrando uma aberta animosidade nos últimos meses, culminando com um duro documento da direção partidária censurando Fini por suas ações e declarações, e acusando-o de não mais representar os ideais do partido que ajudou a criar.

Berlusconi disse que o rompimento não afetará a estabilidade do seu governo, embora acredite-se que Fini controle os votos de mais de 50 parlamentares.

"Não há risco", disse o primeiro-ministro em entrevista coletiva na noite de quinta-feira. "Temos maioria."

Mas, dependendo do número de parlamentares que seguirem Fini na formação de uma nova bancada, Berlusconi pode perder maioria em uma das Casas do Parlamento, ou vê-la reduzida a uma margem perigosa.

A coalizão formada pelo PDL e o partido Liga Norte tinha, antes do racha, 344 deputados, incluindo 14 deputados de pequenos partidos, que decidem seus votos caso a caso. Para ter maioria, um governo precisa de 316 deputados.

Sem o apoio de Fini, Berlusconi pode se ver refém dos pequenos partidos e da Liga Norte, o que já causou a queda do seu primeiro governo, em 1994.

Mas a situação causada pela implosão do partido governista é inédita, e não há diretrizes constitucionais sobre o que deve acontecer agora. Vários analistas disseram na sexta-feira que Berlusconi estaria conformado com a convocação de eleições, por acreditar que o seu partido se sairá melhor sem Fini.

Berlusconi afirmou que caberá aos parlamentares decidirem se Fini deve ou não permanecer como presidente da Câmara.

Fini disse que não pretende renunciar à presidência da Câmara, que lhe dá enorme poder para definir a pauta parlamentar.

 

Fonte: Reuters

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